domingo, 31 de maio de 2026

[Resenha] Conrad Apresenta Laerte

+16

    Antes de mais nada, essa revista é uma coletânea que resgata 4 histórias antigas da Laerte publicadas entre 1987 e 1991. Agora, precisamos falar da capa, vamos lá que o capista caprichou: olhando a capa, lemos Conrad Apresenta Laerte com uma ilustração tirada de uma das histórias e os títulos das 4 histórias espalhados pelo cenário da ilustração. Como a ABNT diz que o título do impresso é o que está na capa, preciso considerar, como vocês podem ver, que o título desta obra é Conrad Apresenta Laerte, ela é uma edição da coleção HQ Para Todos e teve o preço de R$ 14,90.

    Na ficha catalográfica, o título está Minotauro e Outras Histórias, embora a ilustração usada na capa tenha sido tirada da História Inegável do Precioso Documento Original, que, na capa e no sumário aparece apenas como Documento Original. Espalhados pelo cenário da ilustração da capa estão os títulos Documento Original (já citado), Moto, Minotauro e Episódio Final. Ou seja, nada na capa indica que Minotauro é a história que deveria dar o título da edição.

    Mas não se preocupem, esses erros crassos da Conrad em nada comprometem as 4 histórias completas da Laerte, textos, desenhos e arte-final, resgatadas na coletânea. Na ordem dessa edição temos Minotauro, Documento Original, Moto e Episódio Final. A ordem de publicação original foi: História Inegável do Precioso Documento Original em Circo #6 de 1987; Episódio Final, de 1988, na revista Geraldão #9; Minotauro, de 1989, publicada na revista Geraldão #15; e Moto, de 1991, publicada na revista Piratas do Tietê #11.

    Comentando conto a conto, afinal, são só 4, vamos a História Inegável do Precioso Documento Original, uma crítica ácida à burocracia e aos burocratas. Episódio Final fala sobre o amor de um leitor pelos quadrinhos. Minotauro é sobre um herói que entra no labirinto do Minotauro e tem que lutar contra a criatura por sua vida, conseguirá ele sobreviver? Moto é uma história que se eu comentar entrego tudo, achei a mais fraca de todas, requer referências de filmes de terror para ser plenamente entendida; se eu falar o filme, dou spoilers, mas peguei a referência. Basicamente, achei Moto a mais fraca exatamente por ela carecer de referência externa para ser melhor aproveitada.

    Os desenhos são excelentes, a narrativa gráfica é impecável, estamos falando da Laerte no auge dos anos 1980 e 1990, e as três histórias de que gostei são geniais e ácidas. Episódio Final também pode ser lida como uma crítica ao colecionismo, Minotauro é um terror da melhor qualidade e História Inegável do Precioso Documento Original nos mostra que a burocracia pode ser perigosa quando vira um fim em si mesma. Mesmo Moto, que não gostei, traz um desenho espetacular. Esta é uma edição que vale muito a pena ler e guardar na coleção.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos



sábado, 30 de maio de 2026

[Resenha] Usagi Yojimbo Livro 7: A História de Gen de Stan Sakai


+12

    Usagi Yojimbo Livro 7: A História de Gen de Stan Sakai, chega pela editora Hyperion Comics em formato original americano, miolo preto e branco, capa cartão, a R$ 74,90 (mais eventual frete e menos eventuais descontos). Bom, o coelho samurai dispensa apresentações, mas caso você ainda não o conheça, ele é criação do norte-americano descendente de japoneses, Stan Sakai, para homenagear a cultura de seus antepassados nos EUA. O traço realmente lembra o de mangá, mas a leitura é no sentido ocidental.

    Como em todas as edições anteriores, todas as histórias são fechadas. Mesmo quando personagens retornam de histórias anteriores, o(a) leitor(a) não precisa de conhecimento prévio para entender nenhuma história, uma aula de respeito para com o público. No volume 7, temos, na ordem das histórias: Kitsume, Gaki, Ritual Interrompido, O Novelo Emaranhado, Gen (A História de Gen), O Retorno de Kitsume e A Última História de Ino.

    Kitsume é uma artista de rua que faz acrobacias com piões, leques, adagas e espadas, mas também é uma ladra que baterá a carteira de Usagi e o meterá em uma bela enrascada. Gaki é uma memória da infância e do treinamento de Usagi. Ritual Interrompido é sobre o fantasma de um samurai do mesmo clã de Usagi que teve seu ritual de seppuku interrompido e não consegue descansar em paz. Em O Novelo Emaranhado, Usagi encontra uma fantasma cujos poderes incluem soltar fios de teia em que quanto mais Usagi tenta escapar, mais emaranhado ele fica.

    Gen (ou A História de Gen) narra toda a vida do rinoceronte picareta caçador de recompensas a partir do momento em que ele e Usagi encontram a antiga senhora do pai de Gen, um general samurai. A antiga nobre se encontra em petição de miséria. A coisa se complica quando a anciã e seu mais fiel servo descobrem que o traidor de seu clã subiu na vida e é a maior autoridade daquela aldeia.

    Em O Retorno de Kitsume, a nossa simpática ladra rouba uma carta sobre uma conspiração. Ela encontra Usagi e Gen e o rinoceronte apatetado se apaixona por ela e entra na confusão mesmo sem ter nada a lucrar com isso. Por fim, temos A Última História de Ino, Usagi e Gen são emboscados por bandoleiros, mas conseguem vencê-los com um subterfúgio. Na busca por abrigo encontram uma cabana que julgam estar abandonada, mas lá dentro encontram uma mulher cuidando de seu marido que fora atingido por uma flecha dos mesmos bandidos que os atacaram. Para a surpresa de ambos, o enfermo marido da mulher é Ino. Agora Usagi e Gen usam seus conhecimentos de medicina de guerra para salvar o velho conhecido.

    Usagi Yojimbo é uma influência para todos os quadrinhos estadunidenses que vieram depois dele. Uma série verdadeiramente indicada para todas as idades, com muito bom humor e com várias camadas de compreensão e entendimento, para crianças de 12 a 120 anos (ou até bem mais). É simplesmente impecável! Vale VERDADEIRAMENTE cada centavo!

    Boas leituras e até breve!

    Rodrigo Rosas Campos



sexta-feira, 29 de maio de 2026

[Resenha] Não Se Assuste, Isso é Coisa de Mulher: Terror Escrito e Desenhado por Mulheres Com Organização e Edição de Eliane Bonadio


+18


    O terceiro volume da série Isso É Coisa de Mulher Comics foi lançado em 2024 e traz quadrinhos de terror elaborados por Bianca Mól (texto e desenhos), Eliane Bonadio (texto), Fabiana Signorini (desenhos), Flávia Gasi (texto), Larissa Palmieri (texto), Lorena Valquíria (texto), Luiza Lemos (texto e desenhos), Má Matiazi (texto e desenhos), Mari Santtos (desenhos), Marília Aguiar (desenhos), Renata CB Lzz (texto e desenhos), Roberta Cirne (desenhos), Tati Tatsch (desenhos) e Tina Curtis (texto). Nessa coletânea há a inversão dos papéis mais tradicionais, elas são as monstras e eles as vítimas indefesas.

    Toda vez que comento uma antologia conto a conto, ninguém liga, logo, falarei da edição como um todo marcando elementos das histórias que mais gostei e suas autoras. Mas fica o aviso: todas as histórias são igualmente incríveis e excelentes e preferir umas a outras demonstra apenas gosto pessoal. Outro aviso é que: da série Isso é Coisa de Mulher, Não Se Assuste… foi disparada a melhor das 3.
 
    As mais impactantes foram justamente as mais realistas: Lar Amargo Lar de Larissa Palmieri e Mari Santtos; Pack do Pezinho de Má Matiazi; e Noite de Festa de Eliane Bonadio e Marília Aguiar. São histórias curtas o suficiente para eu não conseguir resumir sem spoilers, mas são as mais impactantes e não envolvem sobrenatural.

    Bianca Mól criou uma aventura memorável da Loira do Banheiro. Sob o Sangue Derramado é a melhor história envolvendo sobrenatural, é de Flávia Gasi e Tati Tatsch. E claro, nenhuma antologia de terror é completa sem uma história de vampiras, Cartão Vermelho, e uma versão de Frankenstein, no caso, uma versão feminina, a Lady Galatea.

    Tenho que mencionar nominalmente Luíza Lemos, que, ao longo das 3 edições da série, mostrou uma qualidade rara entre desenhistas de quadrinhos: ela muda o traço de acordo com o que o texto da história pede, entregando ao texto exatamente o traço que mais combina com a proposta de cada história. Isso é raro e tem que ser valorizado. A edição está a R$45,00 (mais eventual frete) diretamente com as autoras em suas lojas virtuais ou redes sociais, formato franco belga, capa cartão, lombada quadrada com orelhas e miolo em preto e branco. É terror da melhor qualidade. Boas leituras e, se puderem, bons sonhos! Hahahahaha!

Rodrigo Rosas Campos



quinta-feira, 28 de maio de 2026

[Resenha] Não Tema, Isso é Coisa de Mulher: Super-heroínas Escritas e Desenhadas por Mulheres Em Uma Edição Organizada por Eliane Bonadio

+18

    O segundo volume da série Isso É Coisa de Mulher Comics é de 2022 e traz quadrinhos de super-heroínas elaborados por Bianca Mól (texto e desenhos), Eliane Bonadio (texto), Fabiana Signorini (texto e desenhos), Flávia Gasi (texto), Lídia Zanella (texto e desenhos), Luíza Lemos (texto e desenhos), Mari Santtos (desenhos), Renata CB Lzz (texto e desenhos) e Roberta Cirne (texto e desenhos).

    Não vou comentar história por história porque sei que a maioria não lê quando faço isso em antologias de várias autoras (ou autores), mas vamos a um apanhado geral e eventuais destaques. Mãe Maravilha, Mulher Múltipla, Satara, a Fera, Blindada, Lobimoça de Beiramato, Grafena e Spectra são oito novas super-heroínas, cada uma apresentada em sua respectiva história.

    Ao contrário da maioria das super-heroínas tradicionais, elas foram criadas por mulheres e da perspectiva de mulheres, logo seus super-poderes vão além do fantástico ou acabam sendo metáforas e eufemismos (ninguém cria carapaças de forma literal) para habilidades reais que mulheres precisam desenvolver para lidar com as cobranças cotidianas da nossa sociedade patriarcal. Neste sentido, Blindada e Grafena criam carapaças para sofrimentos comuns a muitas mulheres em duas abordagens e circunstâncias diferentes.

    Os super-poderes podem não ser os maiores ou melhores poderes dessas mulheres: a Mulher Múltipla conta com uma rede de apoio que é mais importante que o seu super poder de se multiplicar; a  Lobimoça é, acima de tudo, uma líder comunitária em Beiramato, seus poderes sobrenaturais de mulher lobo não são os mais importantes, embora sejam poéticos. A Fera é uma força que pode brotar em mulheres diferentes em situações diferentes.

    Com relação às outras heroínas de que não falei mais especificamente, não conseguiria resumir suas já curtas histórias sem dar spoilers. Todas as histórias são muito boas, por gosto pessoal, minhas preferidas foram a Mulher Múltipla de Luíza Lemos, Satara de Flávia Gasi e Mari Santtos, Lobimoça de Fabiana Signorini e a Spectra de Roberta Cirne, que achei a mais ousada.

    Não Tema, Isso é Coisa de Mulher tem o preço de R$45,00 (mais eventual frete), formato franco-belga, miolo em preto e branco, capa cartão com orelhas, lombada quadrada e pode ser adquirido com as autoras em suas lojas virtuais ou redes sociais. Por ser de 2022, encontrei também em algumas livrarias virtuais. Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos



quarta-feira, 27 de maio de 2026

[Resenha] Não Ligue, Isso é Coisa de Mulher, Organizado por Eliane Bonadio

+18

    Não Ligue, Isso é Coisa de Mulher é uma edição organizada e co-escrita por Eliane Bonadio. As histórias em quadrinhos foram elaboradas por Bianca Mól (texto e desenhos), Eliane Bonadio (texto), Fabiana Signorini (desenhos), Flávia Gasi (texto), Lídia Zanella (texto e desenhos), Luíza Lemos (texto e desenhos), Mari Santtos (texto e desenhos), Nanda Alvez (desenhos), Renata CB Lzz (texto e desenhos) e Roberta Cirne (texto e desenhos).

    Lançada em 2021, a edição traz histórias em quadrinhos sobre as relações de homens e mulheres de uma perspectiva trocada, uma inversão de papéis onde elas assumem os papéis de poder. Imagine um mundo onde os homens são objetificados pelas mulheres e onde a palavra dos homens é sempre contestada. Onde elas assediam e eles sofrem assédios. Esta é a tônica de Não Ligue, Isso é Coisa de Mulher. Nessas histórias, os homens sofrem as humilhações que elas sofrem no cotidiano tendo em vista o machismo estrutural. É uma inversão de papéis que visa despertar a reflexão, a empatia e, quem sabe, a mudança de atitude de homens que, muitas vezes, nem sequer se percebem machistas.

    Se houver muitos pedidos nos comentários comento conto a conto, mas tendo em vista que quase ninguém lê quando eu faço isso abordei outros aspectos gerais do volume. Nos contos mais específicos vemos a dupla jornada de trabalho, assédio moral e sexual no trabalho, a desvalorização dos papéis de cuidado e do trabalho doméstico, o descredenciamento da palavra e das opiniões e a objetificação dos corpos, mas sempre na mudança de papéis mostrando uma troca equivalente, com os homens sofrendo na ficção o que as mulheres sofrem na realidade.

    Não Ligue, Isso é Coisa de Mulher está a R$45,00 (mais eventual frete) com as autoras em suas lojas virtuais ou redes sociais, formato franco belga, miolo em preto e branco, capa cartão e lombada quadrada com orelhas. Por ser de 2021, já vi em outros sites de livrarias virtuais. Deixem comentários com educação e carinho! Boas leituras e boas reflexões!

Rodrigo Rosas Campos


terça-feira, 26 de maio de 2026

[Matéria] Usagi Yojimbo e Gen Como Personagens do Mestre para 3DeT Victory

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Adaptação livre: Rodrigo Rosas Campos

Antes de mais nada, vamos a ficha do Usagi:

3DeT Victory – Ficha de Personagem

Nome: Usagi Yojimbo

Arquétipo: kemono (1 ponto).

Pontos: 11

Escala: N

Pontos de Experiência (XP):

Poder: 1

Pontos de Ação: 1+3(códigos do samurai)=4

Habilidade: 3

Pontos de Mana: 15

Resistência: 2

Pontos de Vida: 10

Perícias: luta (1 ponto); esporte (1 ponto); saber (1 ponto); sobrevivência (1 ponto); medicina (1 ponto).

Técnicas: como se trata de um NPC, mestre, fique à vontade.

Inventário (dividir itens entre comuns, incomuns e raros): par de espadas samurai.

Vantagens: percepção apurada (0 ponto); talento (0 ponto) ágil; inofensivo (1 ponto); kit samurai (1 ponto); guerreiro poeta (0 ponto); artefato ancestral (0 ponto); guerreiro honrado (0 ponto); alcance (1 ponto);

Desvantagens: cacoete (0 ponto) cauteloso (veja a observação); código dos heróis (-1 ponto); código da honestidade (-1 ponto); código da derrota (-1 ponto); munição (-1 ponto)

Tipos de Dano:

Corpo a corpo: corte (espadas).

Longo alcance: perfuração (flechas).

História: toda a série Usagi Yojimbo de Stan Sakai atualizada até o livro 7: A História de Gen.


Observação da adaptação de Usagi Yojimbo para o 3DeT Victory: no novo sistema de RPG 3DeT Victory, Usagi e seus amigos são obrigatoriamente NPCs. Por quê? O manual básico diz que o personagem jogador kemono precisa escolher como cacoete uma das seguintes desvantagens a zero ponto: antipático, atrapalhado, fracote, frágil, indeciso ou tapado.


Usagi não é antipático, atrapalhado, fracote, frágil, indeciso nem tapado, ou seja, sua desvantagem, ser cauteloso por ser um coelho, na verdade, é uma vantagem. Sua aparência de coelho, entra no critério aparência inofensiva, que foi uma vantagem renomeada para inofensivo(a) no Victory, uma das muitas renomeações idiotas: ser inofensivo é uma coisa e ter uma aparência inofensiva é outra, mas é o nome da regra no manual atual.


Isso faz de Usagi um NPC para as regras de 3DeT Victory. Se o protagonista da série de histórias não pode ser um PC, todos os personagens publicados nesta série viram NPCs automáticos ainda que com pontuações jogáveis, isso é o justo. Outro detalhe a ser considerado é que é mais fácil e mais barato comprar uma perícia completa do que especializações específicas no Victory, assim, Usagi ganha medicina completa e saber em vez de apenas primeiros socorros e mais duas especializações como história e montaria, por exemplo. Isso só reforça que, para fantasia medieval, ainda que não europeia, o 3D&T Alpha é melhor que o 3DeT Victory, o Alpha permite a criação de personagens (jogadores ou não) bem mais específicos. Agora vamos para o rinoceronte picareta mais divertido dos quadrinhos:


3DeT Victory – Ficha de Personagem

Nome: Gen

Arquétipo: kemono (1 ponto).

Pontos: 12

Escala: N

Pontos de Experiência (XP):

Poder: 2

Pontos de Ação: 2

Habilidade: 1

Pontos de Mana: 5

Resistência: 3

Pontos de Vida: 15

Perícias: luta (1 ponto); esporte (1 ponto); sobrevivência (1 ponto); manha (1 ponto).

Técnicas: é um NPC, mestre, pode caprichar.

Inventário (dividir itens entre comuns, incomuns e raros): duas espadas samurais.

Vantagens: percepção apurada (0 ponto); talento (0 ponto) forte (rinoceronte); kit artista marcial (1 ponto); kata (0 ponto); montagem de treino (0 ponto); lutarei para conseguir (0 ponto); kit caça-prêmios (1 ponto); ataque subjugante (0 ponto); contrato (0 ponto); mural de recompensas (0 ponto); alcance (1 ponto); brutal (1 ponto); defesa especial blindada (1 ponto).

Desvantagens: cacoete (0 ponto) antipático; infame (-1 ponto) picareta; munição (-1 ponto); fúria (-2 pontos).

Tipos de Dano:

Corpo a corpo: certe (espadas samurais).

Longo alcance: perfuração (flechas)

História: entenda porque Gen não pode ser considerado um samurai, mesmo sabendo lutar e se portar como um, lendo Usagi Yojimbo Livro 7: A História de Gen de Stan Sakai.


Sempre lembrando que, no mundo de Usagi Yojimbo, todos são animais antropomorfizados, kemonos em regras de Defensores de Tóquio, logo, mestre e grupo podem combinar uma flexibilização das regras. Fora que os personagens jogadores podem sempre se inspirar em personagens existentes. Assim, no Victory, um coelho samurai jogador com até -2 pontos de desvantagens e até 10 pontos totais terá frágil a zero ponto como cacoete.

Boas leituras e bons jogos!

sexta-feira, 15 de maio de 2026

[Resenha] Tumba do Terror #01/Crime & Castigo #01: Edição Flip-flop Com Histórias Perdidas de Grandes Nomes dos Quadrinhos Estadunidenses de Crime e Terror


+18

    Direto ao ponto Tumba do Terror #01/Crime & Castigo #01 é uma edição flip-flop (frente e verso) que traz histórias em quadrinhos que caíram em domínio público nos EUA de terror e crimes. São histórias esquecidas de Joe Kubert, Syd Shores, Wally Wood, Gus Ricca, Jack Cole, Bob Powell, Basil Wolverton entre outros, extraídas de várias edições, editoras e revistas norte-americanas diferentes para formar estas duas coletâneas, de um lado terror e do outro lado crimes.

    São histórias anteriores ao Comics Code norte-americano, possuem muita violência gráfica e até mesmo uma linguagem chula, logo, aconselhável para maiores de 18 anos. Porém são histórias bem maniqueístas e com resoluções bem moralistas. Sim, tem a violência gráfica, mas os culpados sempre se dão mal no final.

    No lado do terror, os escritores até permitiam finais ambíguos em que o monstro poderia vencer depois de uma reviravolta, mas no lado do crime, o crime se limita quase que só a roubos e os criminosos sempre são capturados ou mortos durante um tiroteio. Para aqueles que curtem terror em quadrinhos, as histórias foram inspirações para tudo o que temos hoje.

    Para aqueles que curtem histórias de crimes em quadrinhos, aqui, não temos mistérios a serem solucionados, só histórias de assaltantes mesmo e está bem longe dos quadrinhos de mafiosos pós Sin City de Frank Miller. Apesar do Comics Code estadunidense proibir esse material para crianças por conta de seu linguajar e violência gráfica, as histórias de crime eram bem moralistas, não havia espaço para tons de cinzas nos personagens.

    Não vou comentar cada história, porque sei que vocês, leitores, não se importam muito com isso. Se quiserem, deixem nos comentários. Os desenhos são impecáveis, todas as 8 histórias, 4 do lado crime e 4 do lado terror, são excelentes e possuem uma ótima narrativa gráfica. Como vocês já notaram, no geral, gostei mais da parte de terror e, dentro desta, a minha preferida foi A Moça da Lagoa de Bob Powell (texto e desenhos) e Howard Nostrand, (arte-final) pelo conjunto.

    Da parte de crime, tem duas histórias de assaltantes, uma página de curiosidades contando a história do fogo liquido ao lança-chamas e uma história sobre manipulação ilegal de apostas e extorsões no mundo do box profissional da época; mesmo esta, que destoa pela temática, é bem maniqueísta. Minha preferida me ganhou pelo desenho de Joe Kubert e foi Marion Gilmore, A Rainha da Zona Portuária. Na parte de terror, a história de curiosidades de uma página é sobre como vários povos entendiam a sombra das pessoas. Capa da parte de terror por Jucylande Jr. (brasileiro). Capa da parte de crime de Guss Ricca.

    Agora, vamos falar de extras: com prefácios do tradutor e editor Leandro Luigi Del Manto, a revista traz uma contextualização breve do que foi o Comics Code Authority e os artigos de sua versão brasileira, o Código de Ética. E este é o final desta…, epa, caiu um envelope aqui. Um aviso no envelope em uma etiqueta grampeada, não dei ouvidos ao aviso, abri o envelope, relatórios da polícia e do legista de Nova York. Sim, num envelope temos uma história contada por meio de fac-símiles. Pena que uma simples sinopse já seria um spoiler. Escrita, desenvolvida e editada pelo editor da revista, Leandro Luigi Del Manto, que não assinou para não estragar a imersão, mas que merece ser creditado. Adorei a revista, bem editada, R$ 35,00 (mais eventual frete), disponível no e-mail da editora (eroicastudio@gmail.com). Procure também pelo editor, Leandro Luigi Del Manto, nas redes sociais.

    Agora sim, boas leituras e, se puder, bons sonhos! Hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos

quarta-feira, 15 de abril de 2026

[Resenha] Território Lovecraft de Matt Ruff


    O que é mais perigoso, monstros cósmicos e sobrenaturais ou o racismo? Se você for negro numa nação racista, a resposta é o racismo. Isso fica claro ao acompanharmos Montrose, Atticus, George e Letitia em situações onde eles, negros norte-americanos, lidam com o racismo e o sobrenatural em plenos anos 1950 nos EUA, o auge da segregação racial. Eles são odiados por nada pelo próprio país em que nasceram.

    Por motivos que os leitores mais experientes em terror, horror e ficção científica já sabem, esta é a releitura mais crítica, ácida e contundente da obra de H. P. Lovecraft, escrita por Matt Ruff e publicada originalmente nos EUA em 2016. Ela retrata a década de 1950 nos EUA, mas fora a ausência de Internet, redes sociais e celulares, muita coisa se parece com 2020, lamentavelmente. Mas vamos ao livro:

    Atticus é filho de Montrose e está voltando para casa depois de ter servido o exército dos EUA na guerra da Coreia. Ele e seu tio George são fãs de ficção científica e sabem que alguns de seus autores preferidos, sobretudo H. P. Lovecraft, eram racistas. Ser negro e fã de ficção científica é, muitas vezes, como levar facadas no coração.

    George é irmão de Montrose e tio paterno de Atticus. Além de fã de ficção científica, ele é dono de uma agência de viagens voltada ao público preto e editor do Guia de Viagem do Negro Precavido, um livro fictício que, ao contrário do Necronomicon, foi baseado em livros reais, infelizmente.

    Letitia é uma mulher que cresceu com Atticus na mesma vizinhança antes que a vida os separassem. Agora, ela também está de volta ao lar e trabalhando na agência de viagens de George.

    Montrose é um mecânico autodidata que também entende de eletroeletrônica. Irmão de George e pai de Atticus, ele é obcecado por árvores genealógicas e quer conhecer a família de sua falecida esposa, mãe de Atticus, para completar a árvore do filho. Sua falecida esposa era contra e preveniu Atticus para não embarcar na busca do pai.

    Mesmo sem apoio, Montrose parte para a busca que desencadeará a descoberta de segredos que não deveriam ser descobertos. Agora, Atticus, George e Letitia partem numa viagem perigosa para encontrar e resgatar Montrose. No caminho estão os brancos racistas e estranhos fenômenos que os marcarão para sempre.

    H. P. Lovecraft foi o primeiro autor que compartilhou seu universo em vida com seus amigos, permitindo que eles usassem cenários, personagens etc. O primeiro universo compartilhado de todos. As histórias eram de terror e horror, mas Lovecraft deu uma apimentada no gênero com a máxima “magia é ciência que não foi explicada.” e acrescentando os deuses cósmicos ancestrais.

    Assim como em muitas obras anteriores, Matt Ruff cria um mundo em que Lovecraft intuiu verdades em que ele próprio não acreditava e as escreveu como ficção. Não se preocupe, leitor(a), nenhuma leitura prévia é necessária, leia Território Lovecraft sem medo…; bom, na medida do possível, afinal, é horror cósmico.

    As referências a autores anteriores e contemporâneos a Lovecraft pipocam nas páginas pelas visões de George e Atticus. O livro não traz sumário ou índice, o autor, Matt Ruff, quer que os leitores o leiam na ordem, pois uma história maior se descortina a cada página e a melhor forma de acompanhá-la é o mais linearmente possível, posto que muito do passado precisa ser lembrado por forjar o presente.

    Uma bela leitura introdutória para amantes de terror conhecerem, pela ótica de Matt Ruff, um pouco da obra de Lovecraft, que, apesar de racista etc., escreveu um universo compartilhado de terríveis alienígenas que ameaçam toda a vida na Terra. Pena que muitos não entenderam que era só ficção e ele acabou virando o pai das teorias conspiratórias mais absurdas dos dias de hoje.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos



terça-feira, 14 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Transistorizada Saindo do Armário de Luíza Lemos


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Transistorizada Saindo do Armário de Luíza Lemos, texto, desenhos, arte-final e cores. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro, ao preço de R$0,00 na compra de O Detetive da Calcinha Azul na promoção da autora, Luíza Lemos, para o evento. Então, sem mais delongas, vamos a história:

    Transistorizada Saindo do Armário é sobre a própria autora, de forma meio fantasiosa, mostra ela antes de sair do armário até a sua aceitação como mulher trans até os perrengues que passa no dia a dia por conta do preconceito. Situações que ela trata com muito bom humor, mas que não tem a menor graça.

    É um quadrinho sobre direitos civis, cidadania e respeito, no qual a autora explica de forma didática o que é uma pessoa transexual. Pena que parte da sociedade não está disposta a entender mesmo quando a explicação é desenhada. Deixem seus comentários com carinho, educação e respeito, pois eles serão lidos com carinho, educação e respeito.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: O Detetive da Calcinha Azul Por Um Time de Peso dos Quadrinhos Brasileiros


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Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é O Detetive da Calcinha Azul, que é uma edição que reúne nomes de peso dos quadrinhos brasileiros numa única história em quadrinhos: Alberto Pessoa (desenhos e arte-final); Douglas Freitas (argumento e textos); Drigo Avelino (texto, desenhos e arte-final); Germana Viana (roteiro, desenhos e arte-final); Laudo Ferreira (texto, desenhos e arte-final); Yuri Andrei (texto, desenhos e arte-final); Caio Oliveira (ilustrações da guarda); Luíza Lemos (ilustrações da capa e da contracapa); e Fernando Barreto (arte da pinup). Foi garimpada no evento  Cada Um No Seu Quadrinho 2026 ao preço de R$45,00, publicado pela Tábula, lombada quadrada, miolo em preto e branco. Comprei com Luíza Lemos e ganhei um quadrinho de graça na promoção do evento. Mas vamos a história de O Detetive da Calcinha Azul:

    Lembrando que “Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.”: essa é a história de um cidadão de bem, pastor e agente público que, nas horas vagas, se disfarça com uma peruca loira, uma camisetinha, batom e uma calcinha azul para investigar a terrível organização devassa chamada Octopintos.

    O Detetive da Calcinha Azul é uma paródia do vigilante fantasiado que não é baseada em fatos. Imagina se isso aconteceria de fato. Se um cidadão de bem teria de fato uma foto espalhada por aí usando uma peruca loira e uma calcinha azul, isso no Brasil? Nunca! A história tem muito bom humor como toda paródia deve ter. Altamente indicada para aqueles que gostam de rir com senso crítico ligado.

    Deixem seus comentários com bons argumentos e educação, por favor! Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

domingo, 12 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Visita de Leo Finocchi

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Visita de Leo Finocchi, texto, desenhos e arte-final, foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho de 2026 no CCBB, ao preço de R$ 20,00. Publicada pela Balão Editorial, lombada canoa e miolo preto e branco.

    Anos 1990, Marcelo vai visitar os tios no Rio de Janeiro. Ele não ia para a cidade maravilhosa desde a morte de sua avó. Agora, ele precisa ficar hospedado na casa dos tios para prestar vestibular de arquitetura numa faculdade pública. Ao chegar, descobre que sua priminha criança, Vanessa, alega ver o fantasma da cachorra Sapeca.

    Além da suposta assombração canina, tio, tia, priminha e até uma tia-avó querem sua atenção, mas Marcelo precisa estudar e acordar cedo para a prova do vestibular. Mas será que fantasmas existem? Será a cachorrinha Sapeca a única fantasma do lugar? Será que Marcelo conseguirá estudar e fazer as provas com tanta coisa e tanta gente pedindo sua atenção? Ir além daqui é dar spoilers. A história é muito curta e o desfecho é realmente surpreendente.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos

sábado, 11 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Limiar de Caroline Favret, Pedro Balduino e Renan Lino


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Limiar de Caroline Favret, texto, Pedro Balduino, desenhos e arte-final, e Renan Lino, cores, foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro ao preço de R$35,00. Publicada pela Zapata Edições em parceria com a editora Visceral, lombada canoa, miolo em cores. Vamos ao quadrinho:

    Limiar é um poema gráfico difícil de ser descrito ou resumido, pois é curto. Vemos uma menina passeando na companhia de seus pais. Quando seu sorvete cai no chão, ela vê algo esquisito e familiar ao mesmo tempo. Nisso, ela se perde de seus pais e se vê as voltas com um ser estranho e mágico.

    É difícil falar de uma história curta sem entregar seu final, ainda mais quando a história é um tocante poema gráfico sobre a vida e seus desdobramentos naturais ou não. Limiar é uma história em quadrinhos bela, singela e contemplativa, feita para refletirmos a medida em que a história se desenrola por nossos olhos. Vale cada centavo! Um ótimo presente para quem gosta de quadrinhos e para quem gosta de poemas.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Boy Dodói, Histórias Reais e Ilustradas Sobre Masculinidade Tóxica por Várias Autoras


+18!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é uma coletânea com várias histórias organizada por Bebel Abreu, Carol Ito e Helô D´Angelo e publicada pela Bebel Books. Comentarei essa coletânea como um todo, comentar história por história dependerá da quantidade de pedidos nos comentários, uma vez que a maioria não lê as sinopses e opiniões sobre cada conto em separado:

    Boy Dodói, Histórias Reais e Ilustradas Sobre Masculinidade Tóxica tem várias autoras, escritoras e desenhistas, que se baseiam em relatos reais de mulheres. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro. Comprando diretamente com Carol Ito, eu levei dois livros e esqueci de anotar os preços de cada edição, logo, no evento e com o outro quadrinho, pra mim, saiu a R$ 69,50. Boy Dodói na Amazon sai por R$ 70,67 (mais eventual frete). Mas vamos aos quadrinhos:

    O tema é claro: homens que se sentem possuidores de mulheres e mulheres que conseguiram se livrar desses homens. É um manual de como as mulheres podem se libertar e de como um homem não deve agir diante de sua parceira. Ciúmes, inseguranças, sentimento de posse, crise nos papéis sociais de gênero, hábitos ruins aprendidos por uma sociedade que tacitamente oprime a mulher, ou seja, patriarcal, tudo isso é abordado no livro.

    Se você é mulher e se vir em alguma dessas situações, procure ajuda. Se você é homem e alguma dessas carapuças servirem, procure ajuda e terapia para não repetir esses ciclos viciosos. Boy Dodói não fala apenas de homens específicos, uma vez que estes homens específicos são resultados de séculos de história em que as mulheres foram injustamente subjugadas e, como sociedade, precisamos reconhecer e respeitar os direitos das mulheres. Negar que elas foram historicamente minorizadas é o mesmo que negar que a Terra é redonda e gira em torno do Sol.

    O livro é excelente, todas as histórias se equivalem em termos da qualidade gráfica, narrativa e técnica de suas realizadoras, gostar mais de uma das histórias demonstra apenas um gosto pessoal, todas cumprem a função. Cada história é creditada em texto e arte, mas também há o nome da mulher que deu seu depoimento para o livro, uma resolveu ficar anônima, mas vocês entenderam.

    E a melhor parte é que, apesar de alguns desenhos serem fofos, isso não é um livro de humor, é um livro de relatos de situações desagradáveis do cotidiano e, algumas das desenhistas usam traços fofinhos não como eufemismos, mas como dissonâncias cognitivas para deixar bem claro os comportamentos masculinos de que as mulheres não gostam. Nada é transformado em piada aqui!

    Nos extras temos as biografias e bibliografias das autoras (de praxe), e destaque para o prefácio das organizadoras, Bebel Abreu, Carol Ito e Helô D´Angelo e um posfácio de Gregório Duvivier. Deixem seus comentários com carinho, respeito e educação pois eles serão lidos com carinho, educação e respeito. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades de Carol Ito

 +18!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades de Carol Ito, publicada pela Veneta. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho de 2026 no CCBB. Comprando diretamente com Carol Ito, levei dois livros e esqueci de anotar os preços de cada edição, logo, no evento e com o outro quadrinho, Siriricas Tristes saiu, para mim, a R$69,50. Na loja virtual da autora (dê uma busca no Google) sai a R$74,90 (mais eventual frete). Mas vamos ao quadrinho:

    Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades é um livro de tiras que tratam dos dilemas afetivos de uma jovem mulher no mundo de hoje onde as redes sociais são tóxicas e os relacionamentos são instáveis e, muitas vezes, descartáveis e fugazes. As tiras do livro passaram pela pandemia de COVID 19 e também tratam de gordofobia, machismo entre outras dificuldades das mulheres em nossa sociedade.

    Apesar dos temas sérios, Siriricas Tristes e Outras (In)Felicidades consegue extrair bom humor e muitas risadas de tudo isso! Na realidade brasileira, os quadrinhos de Carol Ito lembram os de Maitena na mesma qualidade, mas com o estilo todo próprio e único de Carol Ito. Destaques para as tiras das páginas 34, 36, 38, 54 e 68, bem como a sequência inicial da página 9 até a 21, a sequência que dá nome ao livro e a parte da pandemia de COVID 19.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Purgatório, a Cozinha Fica Aqui de Ana Carolina Oliveira

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Purgatório, a Cozinha Fica Aqui de Ana Carolina Oliveira, texto, desenhos e arte-final. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro, ao preço de R$50,00 com a autora. Vamos a história:

    Ana, que também é o nome da protagonista, está prestes a ser aceita como auxiliar de cozinha num restaurante de alta gastronomia depois de formada em alta gastronomia. Mas esse caminho será árduo, ela será recusada, antes de ser aceita, e o chef que a aceitou imporá sofrimentos que ela não imaginava: más condições de trabalho e transporte, assédio moral e sexual entre outros perrengues mostram o desencanto de Ana com a gastronomia profissional.

    O quadrinho é em estilo mangá, tem tons de surrealismo e muitas metáforas para atenuar (ou intensificar) o dia a dia nada glamoroso de quem trabalha em cozinhas de restaurantes de luxo. Apesar deste volume ter uma história que se fecha em si mesma, perfeitamente compreensível se o(a) leitor(a) não quiser continuar, a história maior continua. Mas volto a frisar, todo o tom do que a série maior terá e o que ela tem a dizer já estão nesse primeiro volume com louvor. É justamente esse poder de síntese que me faz querer ler mais.

    Em resumo, Purgatório, A Cozinha Fica Aqui é a história de como um sonho se torna decepção e pesadelo diante da realidade. Realidade aumentada pelas metáforas visuais e surreais da autora ora para atenuar o desagradável, ora para evidencia-lo ainda mais. Deixem os 10% de gorjeta sempre que puderem e seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação!

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras e bom apetite!

    Rodrigo Rosas Campos



terça-feira, 31 de março de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Migonautas #5, Brilha, Brilha Estrelinha de Mig Mendes


    Sentindo falta de mais quadrinhos infantis? Eu também! Mas vamos primeiro a apresentação do garimpo de eventos: o mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. A pedra garimpada de hoje é Migonautas #5, Brilha, Brilha Estrelinha e foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 ao preço de R$ 40,00, em cores.

    Antes de mais nada, é um livro de tiras. Sobre tiras não dá para comentar uma a uma sem estragar as piadas. Neste quinto livro da série, os ursos astronautas mais atrapalhados do universo causam um incidente diplomático e uma guerra ao assassinarem distraidamente um embaixador de um povo barata; selecionam e recebem um E.T. estagiário; se encontram com o nosso entregador espacial favorito; recebem a visita do mais antigo dos migonautas; visitam um planeta que é só mar, sem terra firme (ou seria solo firme?); além das trapalhadas mais cotidianas de uma vida no espaço.

    Mig Mendes segue afiado em suas paródias espaciais, traços e cores divertidos e fofos para agradar crianças de todas as idades. Vale cada centavo e é ideal para dar de presente para crianças que curtem uma boa ficção científica e boas rizadas. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 27 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Uma Vida Só de Felipe Manhães e B. Horn

+18! Alerta de Gatilho!!! Não leia se não estiver num bom momento de sua vida!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Uma Vida Só de Felipe Manhães (texto) e B. Horn (desenhos) e foi garimpada no evento Eisner Week 2026, ao preço de R$40,00.

    Avisei que contém gatilhos. Uma Vida Só é a história de um homem que dá entrada numa emergência depois de uma alta ingestão de comprimidos para dormir e muita bebida alcoólica. Enquanto a equipe médica tenta ressuscitá-lo, o homem vive sua experiência no limiar da vida e da morte sem saber se irá ou não para a luz e refletindo sobre toda sua vida num cenário mutável de memórias, pesadelos, alegrias e arrependimentos. É uma história pesada, mas, se você estiver num bom momento de sua vida, é um excelente ponto de reflexão pessoal e de empatia para com o próximo.

    O texto é bom, o desenho é espetacular e o encaixe de texto e desenhos, a narrativa gráfica, é impecável. Em termos de história em quadrinhos, Uma Vida Só é uma aula de como se contar uma boa história. Felipe Manhães e B. Horn são dois nomes a serem acompanhados de perto por quem gosta de uma boa história em quadrinhos. A edição é uma publicação de autor (escritor) em parceria com os coletivos Rio de Quadrinhos e Bere Guedê Gibizinho LTDA. Teve uma tiragem bem pequena e vale cada centavo mesmo!

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

quinta-feira, 26 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca de Rachel Paterman e Luz Stella Rodríguez

Altamente recomendável para todas as idades!!!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca de Rachel Paterman (desenhos) e Luz Stella Rodríguez (textos) e foi garimpada no evento Eisner Week 2026 ao preço de R$ 60,00. Antes de mais nada, Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca é um quadrinho de divulgação científica mais voltado para crianças da alfabetização, mas muito indicado mesmo para crianças de todas as idades, acima dos 70, inclusive.

    Por que há tantas enchentes na cidade do Rio de Janeiro? Será que teríamos esse problema crônico se rios e brejos tivessem sido respeitados, se a arquitetura tivesse se harmonizado com a natureza em vez de usurpar seu lugar com aterros que transformaram rios em esgotos? Bom, a resposta está em Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca.

    Úrsula é uma peixinha que vê seu brejo ser ameaçado por mais uma empreiteira depois de ser capturada para ser um peixe de aquário. O que ela não imaginava é que Maya, a sua dona, seria capaz de ouvi-la. Com esse elo firmado, Úrsula começa a ensinar a Maya como funciona o eco-sistema do brejo e o ciclo de vida de sua espécie. Como sua espécie só pode viver num meio ambiente intocado com outras espécies e como mexer nesse equilíbrio aterrando os brejos gera as enchentes da cidade do Rio de Janeiro. Afinal, asfalto não drena água da chuva.

    Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca é uma história em quadrinhos comovente e importante, pois trata de temas ambientais e problemas urbanos causados pelas próprias pessoas ao longo de todo o processo de urbanização, tudo com embasamento científico de suas autoras, Rachel Paterman e Luz Stella Rodríguez. E é nesse quadrinho que a Academicomics se torna uma editora, além de ser uma série em quadrinhos sobre o dia a dia das pesquisas e pesquisadores no Brasil.

    Deixem seus comentários com bons argumentos, carinho e educação. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

domingo, 22 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics Et Al, Organizado, Co-escrito e Co-desenhado por Melina Vaz & Rachel Paterman


     E não é que as nossas heroínas da ciência e dos quadrinhos arrumaram outros pares que fazem ciência e quadrinhos! Rachel Paterman e Melina Vaz acharam outras vozes para criar novas tiras sobre a pesquisa acadêmica no Brasil. O resultado disso é Academicomics Et Al. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics Et Al também reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação, em todos os sentidos.

Rodrigo Rosas Campos



sábado, 21 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics de Melina Vaz & Rachel Paterman


    E não é que a Desorientanda, Rachel Paterman, achou uma outra cientista que também produz humor com o dia a dia acadêmico, a Real Doctor Melina Vaz. Juntas elas lançaram o Academicomics. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência, ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação.

Rodrigo Rosas Campos


sexta-feira, 20 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é o mini-gibi Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros, a Menina Canceriana, e foi garimpada no evento Eisner Week 2026, ao preço de R$20,00. 

    Falar sobre tiras é difícil, uma vez que elas são curtas, Feito por Uma Artista Vingativa traz pequenos poemas gráficos sobre mágoas, fim de namoro, arrependimentos, amizades afastadas pela vida adulta entre outras tristezas cotidianas. É uma obra bem curta, com pequenas obras bem curtas, mas tudo com muita intensidade, delicadeza, nem sempre, e, sobretudo, com expressividade e poder de síntese. A artista vingativa, menina canceriana, Beatriz Quadros, não tem medo de tocar em feridas e nem nas próprias feridas também.

    Fiquei feliz de poder ajudar esta artista que transformou mágoas em poesias gráficas, espero republicação em um formato maior e que venham outros projetos dela com propostas felizes também! Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 13 de março de 2026

[Resenha] Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento de Al Stefano

    E a profecia se realizou, o sertão virou mar e o nordeste brasileiro ficou reduzido a ilhas nesse novo mar do sertão. Neste mundo alternativo habitado por bichos antropomorfizados, os cangaceiros são piratas que saqueiam as ilhas do nordeste. É neste contexto que o mão-pelada Biu Marrento narra sua história para o sapo cangaceiro-pirata que o vigia depois de ser capturado pelo Vela Seca, o bode capitão pirata cangaceiro, em quem Biu passara a perna tempos antes.

    Mas não se engane com o visual “fofo” de animais antropomorfizados, a história de Biu Marrento é recheada de traições familiares, opressão pelos coronéis donos das terras das ilhas, muita batalha, sangue derramado e mortes. Sim, Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento, com textos, desenhos e arte final de Al Stefano, é uma história de piratas com tudo o que tem direito, até violência, traições e mortes. Biu Marrento quer vingar a morte de seu pai e resgatar sua irmã das garras de um poderoso coronel dono de terras, mal sabe ele as surpresas que o esperam.

    A história de Biu Marrento é a segunda história da série Piratas do Cangaço, mas não se desespere! Todas as histórias dessa série são completas e fechadas! Você não precisa ler o primeiro volume para entender o segundo e o segundo não tem spoilers do primeiro. Al Stefano, o escritor e desenhista que criou este mundo, é hábil o suficiente para fazer histórias diferentes no mesmo mundo se conversarem sem que uma vire pré-requisito para outra. Al Stefano tem talento de verdade.

    Piratas do Cangaço tem formato franco-belga (um pouquinho menor), lombada quadrada, capa cartão, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições, R$45,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. Vale cada centavo! Então, não se aperreie, levante a ancora, ice as velas e navegue por essa aventura recheada de batalhas e traições!

    Boas leituras, ho ho ho e uma garrafa de cachaça!

    Rodrigo Rosas Campos



quinta-feira, 12 de março de 2026

Garimpando Em Gibiterias: Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva

 

+18

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Lá fora, grandes obras permanecem em catálogo permanente tal como livros clássicos. Os editores de quadrinhos nacionais são bem imediatistas e até mesmo obras como Fradim, Watchmen, Piratas do Tietê e Maus ficam difíceis de encontrar de tempos em tempos. A série “Garimpando em Gibiterias” fala de quadrinhos que valem a pena “garimpar” em gibiterias, sebos, estoques antigos de livrarias virtuais, feiras de livros e, se a grana estiver muito curta, em bibliotecas públicas. Sim, existem quadrinhos em bibliotecas públicas, é só procurar.

    A pedra garimpada de hoje é Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva, texto e desenhos, pela editora Objetiva de 1995, achada em uma feira do livro por R$ 10,00.

    Na década de 1990, Miguel Paiva bombava no Jornal do Brasil com 3 personagens, na revista de Domingo do Jornal do Brasil, havia a Radical Chic, sua personagem mais famosa, publicada semanalmente na última página da revista em histórias de uma única página inteira. Nas tiras do JB, ele dividia com Luis Fernando Veríssimo a adaptação de Ed Mort para os quadrinhos.

    Mas o sucesso da Radical levou o autor a criar mais dois personagens e, naquele mesmo universo, surgiram O Gatão de Meia Idade e Chiquinha. Esta resenha é sobre o primeiro livro compilando as primeiras tiras do Gatão de Meia Idade. Enquanto livro, Gatão de Meia Idade 1 não tardou a ser publicado, uma vez que o sucesso da Radical o impulsionou e este primeiro livro já foi feito em 1995, praticamente no mesmo período que as tiras originais saiam e que sua sequência continuava na seção de tiras do JB. Chiquinha não tardaria a chegar.

    Mas, para o desespero de alguns leitores novos, Gatão de Meia Idade 1 não possui nenhum tipo de extra, nem mesmo um prefacio ou posfácio do autor ou do editor, nada além das próprias tiras. Foi um livro lançado no calor do contexto em que foi produzido, não havia muito o que falar a mais sobre as tiras, seria redundante. Minto, tem um texto na contracapa sem assinatura. Um texto que pode ser encarado como uma sinopse oficial bem-feita (querendo ler, é só clicar na imagem para ampliá-la).

    Não tem como falar de tiras uma a uma sem dar spoilers, são tiras, mas o Gatão de Meia Idade é um sujeito divorciado, com uma filha adolescente as voltas com uma nova vida de solteiro e tentando novas relações com mulheres, as vezes consegue, as vezes não, as vezes é bom, as vezes não, seguindo a vida e tendo que se equilibrar neste contexto. Óbvio que, tendo uma filha adolescente, também precisa manter um relacionamento cordial com sua ex-esposa.

    Ironia, sarcasmo e muita reflexão crítica ácida sobre os costumes de nossa sociedade que levam homens e mulheres a terem perspectivas inalcançáveis em relação aos relacionamentos a dois. O modo como somos criados e que induzem a muitas diferenças artificiais entre os sexos é abordado nesse livro de forma inteligente e perspicaz.

    Em pleno 1995, Miguel Paiva se mostrou a frente de seu tempo usando humor para falar da sociedade da perspectiva de um divorciado mulherengo, um gatão de meia idade, com todas as suas inseguranças e medos em relação aos seus relacionamentos amorosos.

    Deixe seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação.

    Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “Garimpando em Gibiterias” e clique no botão “Pesquisar”. Ou digite apenas “garimpando” e encontrará títulos a mais em garimpos de eventos.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quarta-feira, 11 de março de 2026

[Resenha] Setembro: Quando Estivemos Aqui de André Freitas e Samuel Bono

    São Paulo, Praça da Sé, garotos de rua e mendigos começam a desaparecer enquanto as autoridades fazem vista grossa. Pedro, garoto de rua que vê seus amigos desaparecem, também conhecido como Pastel, chora a perda de seu cachorro. As coisas se complicam quando Pastel descobre e testemunha a ação de uma menina vampira nos arredores da praça. Ao mesmo tempo, Bicudo, o cachorro do livreiro dono de um sebo local começa a acompanhar Pastel enquanto ele faz uma inusitada amizade com Kugatsu, a menina vampira. Será essa memina vampira a causa dos desaparecimentos ou ela será acusada para acobertar os verdadeiros culpados?

    Setembro: Quando Estivemos Aqui foi escrito por André Freitas e desenhado por Samuel Bono, fala sobre os invisíveis da cidade de São Paulo; moradores de rua, crianças e adultos, e suas relações com padres, religiosos, policiais e pequenos comerciantes dos arredores de onde vivem. Relações essas que são, na maioria das vezes, bem conflituosas e ásperas.

    A leitura avança na medida em que o(a) leitor(a) se pergunta: quem está matando os garotos de rua? Será Kugatsu realmente inocente? Conseguirá Pastel descobrir o que aconteceu aos seus amigos desaparecidos? Que assuntos um padre pode ter com um vampiro? A polícia acreditará em vampiros? A trama tem 114 páginas de quadrinhos, mas comentá-la melhor é dar spoilers. O que pode ser dito é que o texto é contundente ao mostrar que os seres humanos são monstros maiores que qualquer ser sobrenatural seria e os desenhos são muito bem executados e expressivos.

    Setembro: Quando Estivemos Aqui tem formato americano, capa cartão, lombada quadrada, R$50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições e co-produzido pela Yes Cabrita. Vale cada centavo! Uma história de terror surpreendente a cada página.

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos


terça-feira, 10 de março de 2026

[Resenha] Homem-Grilo: O Acelerador Genético, A Volta do Herói Grilado por Cadu Simões, Fred Hildebrand e Daniel Esteves


    Neste novo volume da série do Homem-Grilo pela Zapata Edições, temos duas histórias inéditas e completas: O Acelerador Genético com texto de Cadu Simões e desenhos de Fred Hildebrand; e Homem-Grilo no Griloverso com texto de Daniel Esteves e desenhos de Fred Hildebrand. Duas histórias recheadas de humor parodiando os quadrinhos de super-heróis com um jeitinho bem brasileiro.

    Em O Acelerador Genético, alunos desaparecem do campus universitário e um cientista é sequestrado por uma misteriosa criatura grilo. O Homem Grilo se junta a Garota Cri-Cri para desvendar esse mistério e, no processo, descobrir a origem do grilo radioativo que deu poderes a ele e a Garota Cri-Cri. Essa é a primeira vez que a origem do Homem-Grilo é mostrada em quadrinhos.

    Em Homem-Grilo no Griloverso, o Doutor Dogueiro pretende ser o único a vender cachorro quente em Osasco. Porém, se Osasco deixar de ser a capital do cachorro quente do Brasil em um único universo, todo o multiverso e toda a realidade entrarão em colapso; é o efeito borboleta em versão hot-dog.

    Eis que nosso herói é convocado pela Equipe do Multiverso Grilo para impedir tal ruptura em todas as realidades. Nesta equipe estão variantes de pessoas grilo de vários universos, incluindo a Mulher-Grilo, a líder, e uma variante dele mesmo mais experiente e que já aprendeu a usar todos os poderes; isso mostra que sempre acompanharemos a versão mais noob e apatetada possível do Homem-Grilo em suas histórias mais contemporâneas.

    Mesmo sendo paródias rasgadas, escrachadas e sinceras dos quadrinhos de super-heróis, os roteiros de Simões e Esteves superam em muito as atuais publicações da distinta concorrente(DC) e da plantação(Marvel). Fred Hildebrand desenha, arte-finaliza e colore a edição de modo a enfatizar a graça nos textos dos roteiristas, mostrando que o Homem-Grilo até sabe fazer pose, mas a perde rapidinho pelo seu medo de barata. Homem-Grilo: Acelerador Genético é em cores, lombada quadrada, capa cartão, formato paraguaio, preço R$ 50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. E o melhor, pode ser lido por todas as idades!

    Sempre lembrando que as histórias desse volume são inéditas e completas, você não precisa ler absolutamente nada nem anterior, nem posterior a esta edição. Ao contrário da plantação e da distinta concorrente, Cadu Simões, os demais escritores, os desenhistas do Homem-Grilo e a Zapata Edições respeitam seu público leitor. É um quadrinho indicado para quem nunca leu quadrinhos, para quem gosta de quadrinhos em geral e para quem gosta de super-heróis particularmente. Um ótimo presente para todas as idades. E se a grana estiver realmente curta, as histórias do Homem-Grilo e sua turma podem ser lidas de graça no site oficial do Homem-Grilo.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

Rabiscos #188 - Balança por Rodrigo Rosas Campos

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