quarta-feira, 15 de abril de 2026

[Resenha] Território Lovecraft de Matt Ruff


    O que é mais perigoso, monstros cósmicos e sobrenaturais ou o racismo? Se você for negro numa nação racista, a resposta é o racismo. Isso fica claro ao acompanharmos Montrose, Atticus, George e Letitia em situações onde eles, negros norte-americanos, lidam com o racismo e o sobrenatural em plenos anos 1950 nos EUA, o auge da segregação racial. Eles são odiados por nada pelo próprio país em que nasceram.

    Por motivos que os leitores mais experientes em terror, horror e ficção científica já sabem, esta é a releitura mais crítica, ácida e contundente da obra de H. P. Lovecraft, escrita por Matt Ruff e publicada originalmente nos EUA em 2016. Ela retrata a década de 1950 nos EUA, mas fora a ausência de Internet, redes sociais e celulares, muita coisa se parece com 2020, lamentavelmente. Mas vamos ao livro:

    Atticus é filho de Montrose e está voltando para casa depois de ter servido o exército dos EUA na guerra da Coreia. Ele e seu tio George são fãs de ficção científica e sabem que alguns de seus autores preferidos, sobretudo H. P. Lovecraft, eram racistas. Ser negro e fã de ficção científica é, muitas vezes, como levar facadas no coração.

    George é irmão de Montrose e tio paterno de Atticus. Além de fã de ficção científica, ele é dono de uma agência de viagens voltada ao público preto e editor do Guia de Viagem do Negro Precavido, um livro fictício que, ao contrário do Necronomicon, foi baseado em livros reais, infelizmente.

    Letitia é uma mulher que cresceu com Atticus na mesma vizinhança antes que a vida os separassem. Agora, ela também está de volta ao lar e trabalhando na agência de viagens de George.

    Montrose é um mecânico autodidata que também entende de eletroeletrônica. Irmão de George e pai de Atticus, ele é obcecado por árvores genealógicas e quer conhecer a família de sua falecida esposa, mãe de Atticus, para completar a árvore do filho. Sua falecida esposa era contra e preveniu Atticus para não embarcar na busca do pai.

    Mesmo sem apoio, Montrose parte para a busca que desencadeará a descoberta de segredos que não deveriam ser descobertos. Agora, Atticus, George e Letitia partem numa viagem perigosa para encontrar e resgatar Montrose. No caminho estão os brancos racistas e estranhos fenômenos que os marcarão para sempre.

    H. P. Lovecraft foi o primeiro autor que compartilhou seu universo em vida com seus amigos, permitindo que eles usassem cenários, personagens etc. O primeiro universo compartilhado de todos. As histórias eram de terror e horror, mas Lovecraft deu uma apimentada no gênero com a máxima “magia é ciência que não foi explicada.” e acrescentando os deuses cósmicos ancestrais.

    Assim como em muitas obras anteriores, Matt Ruff cria um mundo em que Lovecraft intuiu verdades em que ele próprio não acreditava e as escreveu como ficção. Não se preocupe, leitor(a), nenhuma leitura prévia é necessária, leia Território Lovecraft sem medo…; bom, na medida do possível, afinal, é horror cósmico.

    As referências a autores anteriores e contemporâneos a Lovecraft pipocam nas páginas pelas visões de George e Atticus. O livro não traz sumário ou índice, o autor, Matt Ruff, quer que os leitores o leiam na ordem, pois uma história maior se descortina a cada página e a melhor forma de acompanhá-la é o mais linearmente possível, posto que muito do passado precisa ser lembrado por forjar o presente.

    Uma bela leitura introdutória para amantes de terror conhecerem, pela ótica de Matt Ruff, um pouco da obra de Lovecraft, que, apesar de racista etc., escreveu um universo compartilhado de terríveis alienígenas que ameaçam toda a vida na Terra. Pena que muitos não entenderam que era só ficção e ele acabou virando o pai das teorias conspiratórias mais absurdas dos dias de hoje.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos



terça-feira, 14 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Transistorizada Saindo do Armário de Luíza Lemos


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Transistorizada Saindo do Armário de Luíza Lemos, texto, desenhos, arte-final e cores. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro, ao preço de R$0,00 na compra de O Detetive da Calcinha Azul na promoção da autora, Luíza Lemos, para o evento. Então, sem mais delongas, vamos a história:

    Transistorizada Saindo do Armário é sobre a própria autora, de forma meio fantasiosa, mostra ela antes de sair do armário até a sua aceitação como mulher trans até os perrengues que passa no dia a dia por conta do preconceito. Situações que ela trata com muito bom humor, mas que não tem a menor graça.

    É um quadrinho sobre direitos civis, cidadania e respeito, no qual a autora explica de forma didática o que é uma pessoa transexual. Pena que parte da sociedade não está disposta a entender mesmo quando a explicação é desenhada. Deixem seus comentários com carinho, educação e respeito, pois eles serão lidos com carinho, educação e respeito.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: O Detetive da Calcinha Azul Por Um Time de Peso dos Quadrinhos Brasileiros


+18

Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é O Detetive da Calcinha Azul, que é uma edição que reúne nomes de peso dos quadrinhos brasileiros numa única história em quadrinhos: Alberto Pessoa (desenhos e arte-final); Douglas Freitas (argumento e textos); Drigo Avelino (texto, desenhos e arte-final); Germana Viana (roteiro, desenhos e arte-final); Laudo Ferreira (texto, desenhos e arte-final); Yuri Andrei (texto, desenhos e arte-final); Caio Oliveira (ilustrações da guarda); Luíza Lemos (ilustrações da capa e da contracapa); e Fernando Barreto (arte da pinup). Foi garimpada no evento  Cada Um No Seu Quadrinho 2026 ao preço de R$45,00, publicado pela Tábula, lombada quadrada, miolo em preto e branco. Comprei com Luíza Lemos e ganhei um quadrinho de graça na promoção do evento. Mas vamos a história de O Detetive da Calcinha Azul:

    Lembrando que “Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.”: essa é a história de um cidadão de bem, pastor e agente público que, nas horas vagas, se disfarça com uma peruca loira, uma camisetinha, batom e uma calcinha azul para investigar a terrível organização devassa chamada Octopintos.

    O Detetive da Calcinha Azul é uma paródia do vigilante fantasiado que não é baseada em fatos. Imagina se isso aconteceria de fato. Se um cidadão de bem teria de fato uma foto espalhada por aí usando uma peruca loira e uma calcinha azul, isso no Brasil? Nunca! A história tem muito bom humor como toda paródia deve ter. Altamente indicada para aqueles que gostam de rir com senso crítico ligado.

    Deixem seus comentários com bons argumentos e educação, por favor! Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

domingo, 12 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Visita de Leo Finocchi

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Visita de Leo Finocchi, texto, desenhos e arte-final, foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho de 2026 no CCBB, ao preço de R$ 20,00. Publicada pela Balão Editorial, lombada canoa e miolo preto e branco.

    Anos 1990, Marcelo vai visitar os tios no Rio de Janeiro. Ele não ia para a cidade maravilhosa desde a morte de sua avó. Agora, ele precisa ficar hospedado na casa dos tios para prestar vestibular de arquitetura numa faculdade pública. Ao chegar, descobre que sua priminha criança, Vanessa, alega ver o fantasma da cachorra Sapeca.

    Além da suposta assombração canina, tio, tia, priminha e até uma tia-avó querem sua atenção, mas Marcelo precisa estudar e acordar cedo para a prova do vestibular. Mas será que fantasmas existem? Será a cachorrinha Sapeca a única fantasma do lugar? Será que Marcelo conseguirá estudar e fazer as provas com tanta coisa e tanta gente pedindo sua atenção? Ir além daqui é dar spoilers. A história é muito curta e o desfecho é realmente surpreendente.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos

sábado, 11 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Limiar de Caroline Favret, Pedro Balduino e Renan Lino


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Limiar de Caroline Favret, texto, Pedro Balduino, desenhos e arte-final, e Renan Lino, cores, foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro ao preço de R$35,00. Publicada pela Zapata Edições em parceria com a editora Visceral, lombada canoa, miolo em cores. Vamos ao quadrinho:

    Limiar é um poema gráfico difícil de ser descrito ou resumido, pois é curto. Vemos uma menina passeando na companhia de seus pais. Quando seu sorvete cai no chão, ela vê algo esquisito e familiar ao mesmo tempo. Nisso, ela se perde de seus pais e se vê as voltas com um ser estranho e mágico.

    É difícil falar de uma história curta sem entregar seu final, ainda mais quando a história é um tocante poema gráfico sobre a vida e seus desdobramentos naturais ou não. Limiar é uma história em quadrinhos bela, singela e contemplativa, feita para refletirmos a medida em que a história se desenrola por nossos olhos. Vale cada centavo! Um ótimo presente para quem gosta de quadrinhos e para quem gosta de poemas.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Boy Dodói, Histórias Reais e Ilustradas Sobre Masculinidade Tóxica por Várias Autoras


+18!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é uma coletânea com várias histórias organizada por Bebel Abreu, Carol Ito e Helô D´Angelo e publicada pela Bebel Books. Comentarei essa coletânea como um todo, comentar história por história dependerá da quantidade de pedidos nos comentários, uma vez que a maioria não lê as sinopses e opiniões sobre cada conto em separado:

    Boy Dodói, Histórias Reais e Ilustradas Sobre Masculinidade Tóxica tem várias autoras, escritoras e desenhistas, que se baseiam em relatos reais de mulheres. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro. Comprando diretamente com Carol Ito, eu levei dois livros e esqueci de anotar os preços de cada edição, logo, no evento e com o outro quadrinho, pra mim, saiu a R$ 69,50. Boy Dodói na Amazon sai por R$ 70,67 (mais eventual frete). Mas vamos aos quadrinhos:

    O tema é claro: homens que se sentem possuidores de mulheres e mulheres que conseguiram se livrar desses homens. É um manual de como as mulheres podem se libertar e de como um homem não deve agir diante de sua parceira. Ciúmes, inseguranças, sentimento de posse, crise nos papéis sociais de gênero, hábitos ruins aprendidos por uma sociedade que tacitamente oprime a mulher, ou seja, patriarcal, tudo isso é abordado no livro.

    Se você é mulher e se vir em alguma dessas situações, procure ajuda. Se você é homem e alguma dessas carapuças servirem, procure ajuda e terapia para não repetir esses ciclos viciosos. Boy Dodói não fala apenas de homens específicos, uma vez que estes homens específicos são resultados de séculos de história em que as mulheres foram injustamente subjugadas e, como sociedade, precisamos reconhecer e respeitar os direitos das mulheres. Negar que elas foram historicamente minorizadas é o mesmo que negar que a Terra é redonda e gira em torno do Sol.

    O livro é excelente, todas as histórias se equivalem em termos da qualidade gráfica, narrativa e técnica de suas realizadoras, gostar mais de uma das histórias demonstra apenas um gosto pessoal, todas cumprem a função. Cada história é creditada em texto e arte, mas também há o nome da mulher que deu seu depoimento para o livro, uma resolveu ficar anônima, mas vocês entenderam.

    E a melhor parte é que, apesar de alguns desenhos serem fofos, isso não é um livro de humor, é um livro de relatos de situações desagradáveis do cotidiano e, algumas das desenhistas usam traços fofinhos não como eufemismos, mas como dissonâncias cognitivas para deixar bem claro os comportamentos masculinos de que as mulheres não gostam. Nada é transformado em piada aqui!

    Nos extras temos as biografias e bibliografias das autoras (de praxe), e destaque para o prefácio das organizadoras, Bebel Abreu, Carol Ito e Helô D´Angelo e um posfácio de Gregório Duvivier. Deixem seus comentários com carinho, respeito e educação pois eles serão lidos com carinho, educação e respeito. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades de Carol Ito

 +18!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades de Carol Ito, publicada pela Veneta. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho de 2026 no CCBB. Comprando diretamente com Carol Ito, levei dois livros e esqueci de anotar os preços de cada edição, logo, no evento e com o outro quadrinho, Siriricas Tristes saiu, para mim, a R$69,50. Na loja virtual da autora (dê uma busca no Google) sai a R$74,90 (mais eventual frete). Mas vamos ao quadrinho:

    Siriricas Tristes & Outras (In)Felicidades é um livro de tiras que tratam dos dilemas afetivos de uma jovem mulher no mundo de hoje onde as redes sociais são tóxicas e os relacionamentos são instáveis e, muitas vezes, descartáveis e fugazes. As tiras do livro passaram pela pandemia de COVID 19 e também tratam de gordofobia, machismo entre outras dificuldades das mulheres em nossa sociedade.

    Apesar dos temas sérios, Siriricas Tristes e Outras (In)Felicidades consegue extrair bom humor e muitas risadas de tudo isso! Na realidade brasileira, os quadrinhos de Carol Ito lembram os de Maitena na mesma qualidade, mas com o estilo todo próprio e único de Carol Ito. Destaques para as tiras das páginas 34, 36, 38, 54 e 68, bem como a sequência inicial da página 9 até a 21, a sequência que dá nome ao livro e a parte da pandemia de COVID 19.

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Purgatório, a Cozinha Fica Aqui de Ana Carolina Oliveira

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Purgatório, a Cozinha Fica Aqui de Ana Carolina Oliveira, texto, desenhos e arte-final. Foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 no CCBB do Rio de Janeiro, ao preço de R$50,00 com a autora. Vamos a história:

    Ana, que também é o nome da protagonista, está prestes a ser aceita como auxiliar de cozinha num restaurante de alta gastronomia depois de formada em alta gastronomia. Mas esse caminho será árduo, ela será recusada, antes de ser aceita, e o chef que a aceitou imporá sofrimentos que ela não imaginava: más condições de trabalho e transporte, assédio moral e sexual entre outros perrengues mostram o desencanto de Ana com a gastronomia profissional.

    O quadrinho é em estilo mangá, tem tons de surrealismo e muitas metáforas para atenuar (ou intensificar) o dia a dia nada glamoroso de quem trabalha em cozinhas de restaurantes de luxo. Apesar deste volume ter uma história que se fecha em si mesma, perfeitamente compreensível se o(a) leitor(a) não quiser continuar, a história maior continua. Mas volto a frisar, todo o tom do que a série maior terá e o que ela tem a dizer já estão nesse primeiro volume com louvor. É justamente esse poder de síntese que me faz querer ler mais.

    Em resumo, Purgatório, A Cozinha Fica Aqui é a história de como um sonho se torna decepção e pesadelo diante da realidade. Realidade aumentada pelas metáforas visuais e surreais da autora ora para atenuar o desagradável, ora para evidencia-lo ainda mais. Deixem os 10% de gorjeta sempre que puderem e seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação!

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras e bom apetite!

    Rodrigo Rosas Campos



terça-feira, 31 de março de 2026

Garimpando No Evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026: Migonautas #5, Brilha, Brilha Estrelinha de Mig Mendes


    Sentindo falta de mais quadrinhos infantis? Eu também! Mas vamos primeiro a apresentação do garimpo de eventos: o mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. A pedra garimpada de hoje é Migonautas #5, Brilha, Brilha Estrelinha e foi garimpada no evento Cada Um No Seu Quadrinho 2026 ao preço de R$ 40,00, em cores.

    Antes de mais nada, é um livro de tiras. Sobre tiras não dá para comentar uma a uma sem estragar as piadas. Neste quinto livro da série, os ursos astronautas mais atrapalhados do universo causam um incidente diplomático e uma guerra ao assassinarem distraidamente um embaixador de um povo barata; selecionam e recebem um E.T. estagiário; se encontram com o nosso entregador espacial favorito; recebem a visita do mais antigo dos migonautas; visitam um planeta que é só mar, sem terra firme (ou seria solo firme?); além das trapalhadas mais cotidianas de uma vida no espaço.

    Mig Mendes segue afiado em suas paródias espaciais, traços e cores divertidos e fofos para agradar crianças de todas as idades. Vale cada centavo e é ideal para dar de presente para crianças que curtem uma boa ficção científica e boas rizadas. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 27 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Uma Vida Só de Felipe Manhães e B. Horn

+18! Alerta de Gatilho!!! Não leia se não estiver num bom momento de sua vida!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é Uma Vida Só de Felipe Manhães (texto) e B. Horn (desenhos) e foi garimpada no evento Eisner Week 2026, ao preço de R$40,00.

    Avisei que contém gatilhos. Uma Vida Só é a história de um homem que dá entrada numa emergência depois de uma alta ingestão de comprimidos para dormir e muita bebida alcoólica. Enquanto a equipe médica tenta ressuscitá-lo, o homem vive sua experiência no limiar da vida e da morte sem saber se irá ou não para a luz e refletindo sobre toda sua vida num cenário mutável de memórias, pesadelos, alegrias e arrependimentos. É uma história pesada, mas, se você estiver num bom momento de sua vida, é um excelente ponto de reflexão pessoal e de empatia para com o próximo.

    O texto é bom, o desenho é espetacular e o encaixe de texto e desenhos, a narrativa gráfica, é impecável. Em termos de história em quadrinhos, Uma Vida Só é uma aula de como se contar uma boa história. Felipe Manhães e B. Horn são dois nomes a serem acompanhados de perto por quem gosta de uma boa história em quadrinhos. A edição é uma publicação de autor (escritor) em parceria com os coletivos Rio de Quadrinhos e Bere Guedê Gibizinho LTDA. Teve uma tiragem bem pequena e vale cada centavo mesmo!

    Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

quinta-feira, 26 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca de Rachel Paterman e Luz Stella Rodríguez

Altamente recomendável para todas as idades!!!

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos. Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais.

    A pedra garimpada de hoje é Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca de Rachel Paterman (desenhos) e Luz Stella Rodríguez (textos) e foi garimpada no evento Eisner Week 2026 ao preço de R$ 60,00. Antes de mais nada, Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca é um quadrinho de divulgação científica mais voltado para crianças da alfabetização, mas muito indicado mesmo para crianças de todas as idades, acima dos 70, inclusive.

    Por que há tantas enchentes na cidade do Rio de Janeiro? Será que teríamos esse problema crônico se rios e brejos tivessem sido respeitados, se a arquitetura tivesse se harmonizado com a natureza em vez de usurpar seu lugar com aterros que transformaram rios em esgotos? Bom, a resposta está em Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca.

    Úrsula é uma peixinha que vê seu brejo ser ameaçado por mais uma empreiteira depois de ser capturada para ser um peixe de aquário. O que ela não imaginava é que Maya, a sua dona, seria capaz de ouvi-la. Com esse elo firmado, Úrsula começa a ensinar a Maya como funciona o eco-sistema do brejo e o ciclo de vida de sua espécie. Como sua espécie só pode viver num meio ambiente intocado com outras espécies e como mexer nesse equilíbrio aterrando os brejos gera as enchentes da cidade do Rio de Janeiro. Afinal, asfalto não drena água da chuva.

    Úrsula, Uma Peixinha do Sertão Carioca é uma história em quadrinhos comovente e importante, pois trata de temas ambientais e problemas urbanos causados pelas próprias pessoas ao longo de todo o processo de urbanização, tudo com embasamento científico de suas autoras, Rachel Paterman e Luz Stella Rodríguez. E é nesse quadrinho que a Academicomics se torna uma editora, além de ser uma série em quadrinhos sobre o dia a dia das pesquisas e pesquisadores no Brasil.

    Deixem seus comentários com bons argumentos, carinho e educação. Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

domingo, 22 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics Et Al, Organizado, Co-escrito e Co-desenhado por Melina Vaz & Rachel Paterman


     E não é que as nossas heroínas da ciência e dos quadrinhos arrumaram outros pares que fazem ciência e quadrinhos! Rachel Paterman e Melina Vaz acharam outras vozes para criar novas tiras sobre a pesquisa acadêmica no Brasil. O resultado disso é Academicomics Et Al. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics Et Al também reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação, em todos os sentidos.

Rodrigo Rosas Campos



sábado, 21 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics de Melina Vaz & Rachel Paterman


    E não é que a Desorientanda, Rachel Paterman, achou uma outra cientista que também produz humor com o dia a dia acadêmico, a Real Doctor Melina Vaz. Juntas elas lançaram o Academicomics. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência, ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação.

Rodrigo Rosas Campos


sexta-feira, 20 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é o mini-gibi Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros, a Menina Canceriana, e foi garimpada no evento Eisner Week 2026, ao preço de R$20,00. 

    Falar sobre tiras é difícil, uma vez que elas são curtas, Feito por Uma Artista Vingativa traz pequenos poemas gráficos sobre mágoas, fim de namoro, arrependimentos, amizades afastadas pela vida adulta entre outras tristezas cotidianas. É uma obra bem curta, com pequenas obras bem curtas, mas tudo com muita intensidade, delicadeza, nem sempre, e, sobretudo, com expressividade e poder de síntese. A artista vingativa, menina canceriana, Beatriz Quadros, não tem medo de tocar em feridas e nem nas próprias feridas também.

    Fiquei feliz de poder ajudar esta artista que transformou mágoas em poesias gráficas, espero republicação em um formato maior e que venham outros projetos dela com propostas felizes também! Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 13 de março de 2026

[Resenha] Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento de Al Stefano

    E a profecia se realizou, o sertão virou mar e o nordeste brasileiro ficou reduzido a ilhas nesse novo mar do sertão. Neste mundo alternativo habitado por bichos antropomorfizados, os cangaceiros são piratas que saqueiam as ilhas do nordeste. É neste contexto que o mão-pelada Biu Marrento narra sua história para o sapo cangaceiro-pirata que o vigia depois de ser capturado pelo Vela Seca, o bode capitão pirata cangaceiro, em quem Biu passara a perna tempos antes.

    Mas não se engane com o visual “fofo” de animais antropomorfizados, a história de Biu Marrento é recheada de traições familiares, opressão pelos coronéis donos das terras das ilhas, muita batalha, sangue derramado e mortes. Sim, Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento, com textos, desenhos e arte final de Al Stefano, é uma história de piratas com tudo o que tem direito, até violência, traições e mortes. Biu Marrento quer vingar a morte de seu pai e resgatar sua irmã das garras de um poderoso coronel dono de terras, mal sabe ele as surpresas que o esperam.

    A história de Biu Marrento é a segunda história da série Piratas do Cangaço, mas não se desespere! Todas as histórias dessa série são completas e fechadas! Você não precisa ler o primeiro volume para entender o segundo e o segundo não tem spoilers do primeiro. Al Stefano, o escritor e desenhista que criou este mundo, é hábil o suficiente para fazer histórias diferentes no mesmo mundo se conversarem sem que uma vire pré-requisito para outra. Al Stefano tem talento de verdade.

    Piratas do Cangaço tem formato franco-belga (um pouquinho menor), lombada quadrada, capa cartão, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições, R$45,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. Vale cada centavo! Então, não se aperreie, levante a ancora, ice as velas e navegue por essa aventura recheada de batalhas e traições!

    Boas leituras, ho ho ho e uma garrafa de cachaça!

    Rodrigo Rosas Campos



quinta-feira, 12 de março de 2026

Garimpando Em Gibiterias: Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva

 

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    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Lá fora, grandes obras permanecem em catálogo permanente tal como livros clássicos. Os editores de quadrinhos nacionais são bem imediatistas e até mesmo obras como Fradim, Watchmen, Piratas do Tietê e Maus ficam difíceis de encontrar de tempos em tempos. A série “Garimpando em Gibiterias” fala de quadrinhos que valem a pena “garimpar” em gibiterias, sebos, estoques antigos de livrarias virtuais, feiras de livros e, se a grana estiver muito curta, em bibliotecas públicas. Sim, existem quadrinhos em bibliotecas públicas, é só procurar.

    A pedra garimpada de hoje é Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva, texto e desenhos, pela editora Objetiva de 1995, achada em uma feira do livro por R$ 10,00.

    Na década de 1990, Miguel Paiva bombava no Jornal do Brasil com 3 personagens, na revista de Domingo do Jornal do Brasil, havia a Radical Chic, sua personagem mais famosa, publicada semanalmente na última página da revista em histórias de uma única página inteira. Nas tiras do JB, ele dividia com Luis Fernando Veríssimo a adaptação de Ed Mort para os quadrinhos.

    Mas o sucesso da Radical levou o autor a criar mais dois personagens e, naquele mesmo universo, surgiram O Gatão de Meia Idade e Chiquinha. Esta resenha é sobre o primeiro livro compilando as primeiras tiras do Gatão de Meia Idade. Enquanto livro, Gatão de Meia Idade 1 não tardou a ser publicado, uma vez que o sucesso da Radical o impulsionou e este primeiro livro já foi feito em 1995, praticamente no mesmo período que as tiras originais saiam e que sua sequência continuava na seção de tiras do JB. Chiquinha não tardaria a chegar.

    Mas, para o desespero de alguns leitores novos, Gatão de Meia Idade 1 não possui nenhum tipo de extra, nem mesmo um prefacio ou posfácio do autor ou do editor, nada além das próprias tiras. Foi um livro lançado no calor do contexto em que foi produzido, não havia muito o que falar a mais sobre as tiras, seria redundante. Minto, tem um texto na contracapa sem assinatura. Um texto que pode ser encarado como uma sinopse oficial bem-feita (querendo ler, é só clicar na imagem para ampliá-la).

    Não tem como falar de tiras uma a uma sem dar spoilers, são tiras, mas o Gatão de Meia Idade é um sujeito divorciado, com uma filha adolescente as voltas com uma nova vida de solteiro e tentando novas relações com mulheres, as vezes consegue, as vezes não, as vezes é bom, as vezes não, seguindo a vida e tendo que se equilibrar neste contexto. Óbvio que, tendo uma filha adolescente, também precisa manter um relacionamento cordial com sua ex-esposa.

    Ironia, sarcasmo e muita reflexão crítica ácida sobre os costumes de nossa sociedade que levam homens e mulheres a terem perspectivas inalcançáveis em relação aos relacionamentos a dois. O modo como somos criados e que induzem a muitas diferenças artificiais entre os sexos é abordado nesse livro de forma inteligente e perspicaz.

    Em pleno 1995, Miguel Paiva se mostrou a frente de seu tempo usando humor para falar da sociedade da perspectiva de um divorciado mulherengo, um gatão de meia idade, com todas as suas inseguranças e medos em relação aos seus relacionamentos amorosos.

    Deixe seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação.

    Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “Garimpando em Gibiterias” e clique no botão “Pesquisar”. Ou digite apenas “garimpando” e encontrará títulos a mais em garimpos de eventos.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quarta-feira, 11 de março de 2026

[Resenha] Setembro: Quando Estivemos Aqui de André Freitas e Samuel Bono

    São Paulo, Praça da Sé, garotos de rua e mendigos começam a desaparecer enquanto as autoridades fazem vista grossa. Pedro, garoto de rua que vê seus amigos desaparecem, também conhecido como Pastel, chora a perda de seu cachorro. As coisas se complicam quando Pastel descobre e testemunha a ação de uma menina vampira nos arredores da praça. Ao mesmo tempo, Bicudo, o cachorro do livreiro dono de um sebo local começa a acompanhar Pastel enquanto ele faz uma inusitada amizade com Kugatsu, a menina vampira. Será essa memina vampira a causa dos desaparecimentos ou ela será acusada para acobertar os verdadeiros culpados?

    Setembro: Quando Estivemos Aqui foi escrito por André Freitas e desenhado por Samuel Bono, fala sobre os invisíveis da cidade de São Paulo; moradores de rua, crianças e adultos, e suas relações com padres, religiosos, policiais e pequenos comerciantes dos arredores de onde vivem. Relações essas que são, na maioria das vezes, bem conflituosas e ásperas.

    A leitura avança na medida em que o(a) leitor(a) se pergunta: quem está matando os garotos de rua? Será Kugatsu realmente inocente? Conseguirá Pastel descobrir o que aconteceu aos seus amigos desaparecidos? Que assuntos um padre pode ter com um vampiro? A polícia acreditará em vampiros? A trama tem 114 páginas de quadrinhos, mas comentá-la melhor é dar spoilers. O que pode ser dito é que o texto é contundente ao mostrar que os seres humanos são monstros maiores que qualquer ser sobrenatural seria e os desenhos são muito bem executados e expressivos.

    Setembro: Quando Estivemos Aqui tem formato americano, capa cartão, lombada quadrada, R$50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições e co-produzido pela Yes Cabrita. Vale cada centavo! Uma história de terror surpreendente a cada página.

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos


terça-feira, 10 de março de 2026

[Resenha] Homem-Grilo: O Acelerador Genético, A Volta do Herói Grilado por Cadu Simões, Fred Hildebrand e Daniel Esteves


    Neste novo volume da série do Homem-Grilo pela Zapata Edições, temos duas histórias inéditas e completas: O Acelerador Genético com texto de Cadu Simões e desenhos de Fred Hildebrand; e Homem-Grilo no Griloverso com texto de Daniel Esteves e desenhos de Fred Hildebrand. Duas histórias recheadas de humor parodiando os quadrinhos de super-heróis com um jeitinho bem brasileiro.

    Em O Acelerador Genético, alunos desaparecem do campus universitário e um cientista é sequestrado por uma misteriosa criatura grilo. O Homem Grilo se junta a Garota Cri-Cri para desvendar esse mistério e, no processo, descobrir a origem do grilo radioativo que deu poderes a ele e a Garota Cri-Cri. Essa é a primeira vez que a origem do Homem-Grilo é mostrada em quadrinhos.

    Em Homem-Grilo no Griloverso, o Doutor Dogueiro pretende ser o único a vender cachorro quente em Osasco. Porém, se Osasco deixar de ser a capital do cachorro quente do Brasil em um único universo, todo o multiverso e toda a realidade entrarão em colapso; é o efeito borboleta em versão hot-dog.

    Eis que nosso herói é convocado pela Equipe do Multiverso Grilo para impedir tal ruptura em todas as realidades. Nesta equipe estão variantes de pessoas grilo de vários universos, incluindo a Mulher-Grilo, a líder, e uma variante dele mesmo mais experiente e que já aprendeu a usar todos os poderes; isso mostra que sempre acompanharemos a versão mais noob e apatetada possível do Homem-Grilo em suas histórias mais contemporâneas.

    Mesmo sendo paródias rasgadas, escrachadas e sinceras dos quadrinhos de super-heróis, os roteiros de Simões e Esteves superam em muito as atuais publicações da distinta concorrente(DC) e da plantação(Marvel). Fred Hildebrand desenha, arte-finaliza e colore a edição de modo a enfatizar a graça nos textos dos roteiristas, mostrando que o Homem-Grilo até sabe fazer pose, mas a perde rapidinho pelo seu medo de barata. Homem-Grilo: Acelerador Genético é em cores, lombada quadrada, capa cartão, formato paraguaio, preço R$ 50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. E o melhor, pode ser lido por todas as idades!

    Sempre lembrando que as histórias desse volume são inéditas e completas, você não precisa ler absolutamente nada nem anterior, nem posterior a esta edição. Ao contrário da plantação e da distinta concorrente, Cadu Simões, os demais escritores, os desenhistas do Homem-Grilo e a Zapata Edições respeitam seu público leitor. É um quadrinho indicado para quem nunca leu quadrinhos, para quem gosta de quadrinhos em geral e para quem gosta de super-heróis particularmente. Um ótimo presente para todas as idades. E se a grana estiver realmente curta, as histórias do Homem-Grilo e sua turma podem ser lidas de graça no site oficial do Homem-Grilo.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

segunda-feira, 9 de março de 2026

[Resenha] São Paulo dos Mortos V: Daniel Esteves e Vários Artistas Voltam Para Uma São Paulo Infestada de Zumbis


     O quinto e mais novo exemplar da série São Paulo dos Mortos, escrito por Daniel Esteves, traz 3 histórias inéditas e completas nessa São Paulo pós apocalíptica infestada de zumbis. E antes que alguém pergunte, não é preciso ler as anteriores para entender essas novas histórias, isso é respeito para com os leitores! Lembrando que todas as histórias são escritas por Daniel Esteves, vamos agora falar das histórias:

    Diário do Fim do Mundo tem desenhos de Kris Zullo e trata de um jornal distribuído na São Paulo dos mortos por um veterano jornalista, Vlad, e sua intrépida assistente, Deborah. Eles improvisam, escrevem, editam, imprimem e distribuem um jornal impresso como dá, para que informações de qualidade cheguem a um maior número de vivos que podem escapar da pandemia zumbi e dos próprios zumbis. Mas, no vácuo de poder legal e institucional, vivos mal-intencionados ganham poderes políticos reais nesse novo mundo caótico. A última notícia publicada pelo jornal irritou gente poderosa o suficiente para Deborah perceber fogo na redação do jornal e partir em disparada para salvar Vlad desse incêndio. É um conto, se eu falar só um pouco a mais, entrego o final e o meio. É a história da capa e é a melhor da edição.

    Amor, Drone e Cigarros tem desenhos e arte-final de Carlos Gritti e esboços de Samuel Bono. Um stalker usa um drone para espionar uma garota que se sente visivelmente incomodada com a situação. Um dia, em vez de tentar derrubar o drone, a garota resolve colar um bilhete na máquina com durex. O stalker entende este gesto como um gesto de amor e sai de sua casa para se encontrar com a garota. Mas estamos num mundo de zumbis, tudo o que não está certo sempre pode dar ainda mais errado.

    Gibis São Um Ótimo Remédio tem desenhos de Fred Hildebrand e traz de volta o Morto Boy. Nessa história, nosso simpático moto boy do fim do mundo precisa conseguir um remédio com uma mulher conhecida como a Farmacêutica, que curte mangás e quer uma edição rara que nosso herói não tem. Assim sendo, ela propõe que ele a leve na garupa para uma das gibiterias da cidade. Será que ele conseguirá o mangá raro que é o preço do remédio para o tiozinho diabético?

    A parte gráfica e a narrativa gráfica delas são igualmente excelentes, minha predileção pela primeira história (que é o destaque da capa) se deu pelo texto. Cada desenhista imprime um traço e um estilo diferente, mas tudo se conversa. Em todas as histórias, a São Paulo dos mortos é suja e os mortos-vivos não são as únicas ameaças aos protagonistas.

    Como já dito, são 3 histórias inéditas e completas, de modo que a leitura dos anteriores não é obrigatória. São Paulo dos Mortos V tem capa cartão, lombada canoa, miolo em preto e branco, R$25,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. É uma excelente pedida para quem gosta de quadrinhos de modo geral, terror e histórias de mortos-vivos mais especificamente.

    É São Paulo, é Brasil e é o jeito de falar dos paulistas ao contar esse tipo de história; isso é que dá um diferencial. Só não entendi porque grawlixes substituíram os palavrões, afinal, as maiores violências desse tipo de história não são verbais. Enfim, caso sua criança não tenha medo, ela verá violência, terror e horror, mas não palavrões. Indicado para todas as idades? Veja bem, é terror...

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos

segunda-feira, 2 de março de 2026

[Resenha] Coisas Frágeis Volumes 1 e 2 de Neil Gaiman


    Antes de mais nada, sei que o autor se tornou polêmico, mas a vida da pessoa não afeta sua obra e um livro não deveria pagar pelos pecados do autor da mesma forma que filhos não deveriam pagar pelos pecados dos pais. Coisas Frágeis é o livro de contos de Neil Gaiman conhecido no Brasil por ter o conto no universo de Matrix e um encontro de Sherlock Holmes com Cthulhu, ou, ao menos, no universo de Cthulhu.

    Você, provavelmente, achou essa resenha procurando saber sobre estes dois contos específicos, falarei deles. Adianto que ambos estão no volume 1 do livro. Coisas Frágeis foi publicado em dois volumes no Brasil pela editora Conrad em 2010. Comprei ambos em um sebo por R$20,00 depois de ter chorado um desconto e o volume 1 está caindo aos pedaços. Tendo em vista que os preços atuais de livros de bolso estão mais caros que R$20,00, fiquei feliz.

    Gaiman escreveu introduções nos dois volumes do livro falando sobre os bastidores dos contos, de cada conto. Isso acontece porque os contos que formam Coisas Frágeis foram encomendados para o Gaiman depois da fama com Sandman pela DC/Vertigo. Tendo em vista uma parte geral comum desta introdução nos dois volumes brasileiros, creio que o livro fora publicado originalmente um um volume único e a Conrad o dividiu em dois. Acho que há outra edição brasileira de outra editora em volume único. Estes textos foram originalmente publicados em coletâneas de diferentes autores em livros temáticos ou revistas literárias. Não espere uma temática única entre os contos ou grandes ligações entre eles, isso até existe em alguns casos, mas não é comum. O que mais une estes textos é o mesmo autor.

    Mas vou começar a falar das histórias que provavelmente trouxeram você aqui. Não te julgo, comprei os volumes por elas também. Golias, que é a história no mundo do filme Matrix, foi feita para ser publicada no site oficial do primeiro filme antes mesmo da estreia do mesmo. E quem diria, por exemplo, que dois editores teriam a ideia de publicar um livro com diferentes visões de como Sherlock Holmes poderia investigar os estranhos fenômenos do horror cósmico? Mas isso aconteceu e Gaiman foi um dos autores convidados a dar sua interpretação, o conto Um Estudo Em Esmeralda.

    Para quem gosta de surpresas, sugiro evitar ler as introduções conto a conto. Alguns destes textos introdutórios sobre os contos específicos dão spoilers ou pistas para os mais atentos. Por outro lado, algumas histórias estão ligadas a histórias maiores e Gaiman, a meu ver, não conseguiu fazer de alguns destes contos histórias autossuficientes, o que pode fazer alguns leitores se perderem. Por esse motivo, decidi falar primeiro sobre Golias, o conto no mundo de Matrix.

    Golias narra a história de um homem alto que descobre a realidade por trás da matrix, mas ele a defende, afinal, este planeta Terra dividido entre a realidade virtual brilhante e o mundo real cavernoso e escuro é tudo o que ele conhece como lar e vida. Em acordos que faz com o computador, nosso protagonista negocia com a máquina uma realidade melhor para ele, mesmo sabendo que é, em parte, manipulado pela própria máquina. Mas, para realizar alguns desejos do nosso herói, a Matrix cobra um preço.

    Golias é uma história curta, não quero estragá-la, mas é uma ótima reflexão sobre se há ou não livre arbítrio e, em caso de existir livre arbítrio, quais seriam seus limites. A trama é uma reflexão sobre o que pode ser negociado, mudado e o que é inevitável nas vidas humanas. Este conto foi encomendado antes da estreia do filme. Gaiman leu o roteiro do filme para entender o mundo da Matrix e Golias foi publicado originalmente no site oficial do primeiro filme antes mesmo da estreia do primeiro filme no cinema. Alerta! Quem não viu ao menos o primeiro filme não entenderá nada. Golias é uma história oficial (cânone, no termo modinha) de Matrix.

    Um Estudo em Esmeralda é a versão de Gaiman de como Sherlock Holmes se encontraria com o horror cósmico. Como já disse, este conto foi encomendado para ser publicado originalmente na coletânea temática de vários autores intitulada “Shadows Over Baker Street”, “Sombras Sobre a Rua Baker” em uma tradução literal. Este livro trouxe várias visões sobre como o maior detetive da literatura investigaria casos envolvendo os mitos de Cthulhu. O texto de Gaiman, nesse caso, é autossuficiente, mas aqui entra uma advertência:

    Para juntar Sherlock Holmes e o horror cósmico num mesmo mudo, Gaiman subverte tanto as tramas originais de Arthur C. Doyle quanto as de H. P. Lovecraft, ou seja, desagradará puristas de ambos os autores originais. É uma história surpreendente, bem escrita, excelente, com uma visão única e ousada do horror cósmico de Lovecraft, mas ir além daqui é dar spoilers. Esta é para ser lida por leitores que possuem uma mente aberta em relação aos personagens de que gostam. Lembrando, se você é purista, fique longe dessa trama. Ao meu ver, este conto sozinho valeu o preço do livro inteiro. De fato, é de admirar que a Pipoca & Nanquim não tenha publicado “Shadows Over Baker Street” no Brasil depois de Histórias Assustadoras Para Contar a Noite e O Grande Livro dos Vampiros.

    Agora que já falei sobre os dois contos que deixaram este livro conhecido, darei a minha impressão geral dos dois volumes e falarei com destaque apenas dos textos de que mais gostei. Se você só queria saber do conto de Sherlock no mundo de Cthulhu e do conto da Matrix escritos por Neil Gaiman, pode ir embora, sem culpa, eu te entendo. Como já disse, comprei estes dois volumes por estes dois contos que estão no volume 1. O sebo onde comprei, não queria vendê-los separados. Boas leituras!

    Ficou aí?! Vamos continuar: como não tenho medo de eventuais spoilers, afinal eu gosto de Nélson Rodrigues, de tragédias gregas, de Shakespeare e de informações de bastidores, li as introduções. Importante ressaltar que, em Coisas Frágeis, Gaiman reuniu contos que já haviam sido publicados antes, ou na Inglaterra ou nos EUA, em outros livros de coletâneas ou em revistas literárias.

    Fico maravilhado como o quanto Neil Gaiman escreve melhor quando escreve menos, detesto verborragia, gosto quando as palavras mostram ideias e narrativas da forma mais econômica possível. Neil Gaiman provou, nesse livro, que quando ele quer, ele não é sonífero como em Sandman. Sim, não gosto de Sandman, me julguem! Entretanto, apesar de o primeiro volume ser mais regular e eu ter lido tudo de bom grado, o segundo volume se mostrou bem irregular e eu o abandonei.

    Continuando no volume 1, Lembranças e Tesouros é autossuficiente, mas trata-se de um conto de uma série maior de crimes e é bem adulta mesmo. Contém violência pesada, física e psicológica. Smith é um capanga faz tudo de um homem verdadeiramente muito rico, tão rico que fica longe dos holofotes das colunas sociais. Neste conto, Smith relembra a sua vida do orfanato até se tornar o capanga de alto nível deste homem muito rico. Uma vida marcada por abusos de todo o tipo que o levaram a perder quase completamente a noção de culpa. No mais, seriam spoilers. Essa é uma história para maiores de 18 anos mesmo.

    O Problema de Susan é sobre o destino de Susan nas Crônicas de Nárnia. Ler este conto sem ter lido todas as crônicas de Narnia é tomar spoilers. Basicamente, Gaiman escreve o epílogo do último livro que o autor original nunca escreveu. Assim como o conto de Sherlock no mundo de Cthulhu, este pode desagradar os puristas, mas, neste caso, só alguns muito poucos. Amei. Li as Crônicas de Nárnia, gosto da série Sherlock, dos mitos de Cthulhu, mas tenho a consciência de que ficção não é religião, quer cânone, vá a uma igreja.

    Os Fatos no Caso da Partida da Senhorita Finch é sobre um casal que pede ajuda a um amigo (o narrador em primeira pessoa). Eles pretendem sair para um circo experimental, mas a mulher deve favores à família da senhorita Finch e a senhorita os acompanhará. Assim, eles chamam o narrador para que a tal senhorita não fique segurando vela. Mas ela é insuportável e só fala de seu trabalho.

    Chegando no local do circo experimental, todos os artistas estão vestidos como seres sobrenaturais, mas o espetáculo começa e com ele as dúvidas sobre se as fantasias de vampiros, lobisomens e monstros em geral são realmente fantasias. Ir além daqui é realmente dar spoilers. Dica: não leia a introdução específica desse conto. Como Conversar Com Garotas Em Festas é um conto, não é um manual. Falar sobre esta história tendo em vista o seu tamanho e o porquê que ela tem graça é entregar tudo. O Pássaro do Sol é o conto que Gaiman fez para dar de presente de aniversário a uma de suas filhas. Achei sem sal, mas não o abandonei.

    O Monarca do Vale é um conto de Deuses Americanos que faz crossover com o mundo de crimes realistas de Smith. Da mistura desses dois mundos, o realismo foi obliterado pela fantasia de Deuses Americanos. Aviso: este conto é como um epílogo/continuação de Deuses Americanos, logo, traz spoilers.

    O Monarca do Vale confirma que tudo o que Gaiman escreve por conta própria está em um mesmo universo, o que não é tão comum quanto as pessoas pensam; a maioria dos escritores, mesmo quando repetem nomes, não costuma repetir exatamente os mesmos personagens. Mesmo não tendo gostado tanto assim do volume 1, não abandonei nenhuma de suas histórias, ou seja, o primeiro volume é bem escrito, regular e garante um bom entretenimento. O volume 1 como um todo não me arrebatou nem me repeliu.

    Agora o volume 2: este segundo volume também traz poemas e de nada vale comentar poemas para quem não os leu. Nem tentarei comentar os poemas aqui. Não li as versões originais do inglês, portanto não posso culpar quem os traduziu, mas não gostei do primeiro, abandonei o segundo e nem lerei a partir do terceiro. Dito isso, mesmo que eu não tivesse desistido da maioria dos contos do volume 2, Coisas Frágeis (o livro completo) já entra na minha lista de livros (leituras) abandonados(as).

    O Cascalho da Ladeira da Memória é bom, mas seu início é desanimador, insista que é um conto curto. Como um todo o volume 2 é bem mais irregular que o primeiro. Tem contos muito bons e instigantes, como Os Outros e No Final, mas também tem os verborrágicos que, de tão longos, se tornam chatos e previsíveis.

    Ouro destaque é sobre o taró de vampiro, este ficou incompleto, Gaiman não escreveu sobre todos os arcanos e, dos escritos, alguns são geniais e outros insossos. Um conto dividido em contos menores que reflete o macro de Coisas Frágeis, um livro com contos extremamente inspirados e com outros extremamente protocolares. Desisti de vez do livro depois de ler esse taró de vampiros que nem o autor terminou e publicou inacabado mesmo.

    Lembrando que se não citei o título de algum conto aqui, é porque não o achei grande coisa nem para falar mal, falar mal seria dar nota a algo que deve ser completamente indiferente. Deixem seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação. Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

[Resenha] Bito Zine 1 e 2: Soneca e Graminha Por Marcel Ibaldo e Marcelli Ibaldo


Fortemente aconselhável para todas as idades!


    Eis que o universo da Tê Rex não para de se expandir. Nessa inauguração da linha maior chamada Tê Rexverso, agora temos dos zines em formato He-Man do mascote da Tê Rex, Bito, um trilobita. Os textos são de Marcel Ibaldo e os desenhos são de Marcelli Ibaldo. O preço de cada uma dessas edições especiais é de R$ 8,00 (mais o eventual frete), com os autores nas redes sociais, Instagram, inclusive.

    Com o traço delicado de Marcelli e os textos singelos de Marcel, vemos, da perspectiva de u simpático bichinho de estimação a importância de uma boa soneca, no primeiro livrinho, e de uma boa graminha, no segundo livrinho. Estes volumes são altamente indicados para crianças em processo de alfabetização, mas adultos pais e mães de pets vão amar também.

    Como se tratam de dois poemas curtinhos, falar muito é dar spoilers e todos no universo da Tê Rex tem tanto medo de spoilers quanto de meteoros.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

[Resenha] Téo Rex: Ronin Por Marcel Ibaldo e Marcelli Ibaldo


Fortemente aconselhável para todas as idades!


    Eis que chegou o dia do universo da Tê Rex se expandir. Nessa inauguração da linha maior chamada Tê Rexverso, temos uma aventura do irmão mais novo da Tê, o Téo Rex, no papel de um ronin, samurai sem mestre, num Japão feudal nerd e fantasioso, em uma edição com aventura fechada, Téo Rex: Ronin. Os textos são de Marcel Ibaldo e os desenhos são de Marcelli Ibaldo. O preço dessa edição especial é de R$ 20,00 (mais o eventual frete), por hora com os autores (podem ser achados no Instagram).

    Não é um livro de tiras, é uma história em quadrinhos fechada em uma edição num formatinho mais caprichado. Téo Rex é um ronin, solitário e um pouco triste, em busca de um lanchinho que se depara com criminosos querendo perturbar sua preciosa hora de refeição. Além da arte em aquarela da Marcelli o texto é de uma doçura ímpar por parecer mesmo vindo de uma criança pequena brincando de samurai e usando, em sua narração em primeira pessoa, conceitos e estilos que nem o narrador entende em sua totalidade.

    A voz do personagem é a voz de um garoto pequeno brincando de samurai usando as referências dos mais velhos a sua volta. Influências de Lobo Solitário e Usagi Yojimbo na veia, pena que a revista é fininha e falar mais seria dar spoilers. Vale muito a pena, principalmente para presentear uma criança. Os autores puseram muito coração nessa revista.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

[Resenha] Tê Rex: Sonhorama, o Quarto Volume Impresso das Melhores Tiras da Internet

Fortemente aconselhável para todas as idades!


    Nada é mais avançado que um básico bem executado! Em Tê Rex: Sonhorama, com roteiros de Marcel Ibaldo e arte de Marcelli Ibaldo temos tiras muito, mas muito bem executadas mesmo! Bem executadas, divertidas, inteligentes e para todas as idades! Isso forma público novo. As tiras já foram publicadas no blog da Tê Rex, que está com tiras mais novas neste momento. Editada em livro pela Avec Editora. Preço: R$ 39,90 (mais o eventual frete).

    As tiras contam as aventuras de Teresa Rex, ou Tê Rex para os amigos, ou Tê para os muito amigos, uma tiranossaura rex nerd que vive em meio ao mundo nerd da pré-história. Esta valente dinossaura adolescente encara todos os perigos da pré-história nerd sem medo, mas novos desafios surgem, alguns bem piores que os terríveis spoilers.

    Neste quarto volume vemos Tê e seu irmãozinho Téo as voltas com novos desafios. Agressões grosseiras travestidas de opiniões e piadas; um pai faz tudo (que não faz nada direito); as aventuras do Pteroman, um herói com o qual ninguém gostaria de se identificar e o dia em que Bito fugiu de casa, será que Tê, sua família e seus amigos conseguirão encontrar o simpático trilobita?

    Sempre temos tiras que retratam o aumento da pilha de leitura, as estantes que lotam rápido e as promoções imperdíveis que quebram as tentativas de só comprar coisas novas depois de vencida a pilha de leitura. Neste volume, isso não é diferente, as reflexões sobre o modo como consumimos quadrinho e cultura pop em geral continuam lá, com destaque para a tiras das páginas 17, 19, 70 e 71, estas últimas dedicadas ao Patric.

    Mas nesse livro, os arcos de tiras com temáticas mais específicas foram ainda mais explícitos que nos volumes anteriores. A primeira série fala sobre agressões travestidas como opiniões e piadas e o quanto elas agridem e machucam, com destaque para a tira da página 11, a mais contundente. A segunda série mais longa foi a do pai que conserta tudo, mas de forma malfeita, de modo que as boas intenções se perdem nas péssimas execuções e isso garante boas gargalhadas.

    A sequência do Pteroman, páginas 56 até 69, mostra a ingrata luta de um super-herói contra os boletos, juros de cartões de créditos e o modo como o consumo também nos consome. Um herói que mostra que querer se identificar com o herói não é a mesma coisa que querer se projetar no herói, ninguém vai querer se projetar no Pteroman, todos se identificarão a contragosto com ele. Por isso mesmo, essa foi a maior sacada dessa edição. Por fim, outra grande sequencia é a da fuga do Bito, que vai da página 83 até a 103, fechando as tiras do livro antes da Galeria de Convidados.

    Estas quatro sequências de tiras bem explícitas me motivaram a fazer perguntas sobre o futuro da série e fui autorizado a publicar estas perguntas e respostas aqui! Então, antes de concluir essa resenha, fique como uma mini entrevista com Marcel Ibaldo no Instagram:

    Blog do Juvenal...- Nos livros anteriores, sempre houve uma série, no primeiro foi o Planeta Dusumano, o segundo o Zap Zombie, a Tê maratonando séries, o terceiro o jovem Téo, literalmente, devorando os livros da Tê, mas era uma série por livro. Neste tiveram as sequências agressividade e preconceito travestidas de opiniões e piadas; o pai faz tudo (mal feito); o Pteroman e a fuga do Bito. A série vai ter mais histórias maiores? Está havendo uma transição das tiras para revistas ou álbuns?

    Marcel Ibaldo - Eu organizo todos os livros com uma quantidade de arcos em cada um.
    Marcel Ibaldo - Alguns são menos perceptíveis, mas sempre estão lá.
    Marcel Ibaldo - O Spoilerfobia é que tem menos desse formato porque estávamos ainda testando, e na época nem pensávamos em reunir tudo em um livro.
    Marcel Ibaldo - De todo modo, apesar de o arco do Planeta Duzumano ser o mais marcante, também tem um arco da ida à comic shop.
    Marcel Ibaldo - No Zapzombie que essa estrutura em arcos passa a ser já planejada com mais antecedência.
    Marcel Ibaldo - Nele, apesar de o título do livro apontar pra questão das séries/zumbis, o arco mais marcante pra mim é o flashback da infância da Tê, e todo o contexto e consequências que ele traz pra série até hoje (e pra sempre).
    Marcel Ibaldo - No Livrofagia além do arco da chegada do Téo, que é o maior e engloba inclusive a chegada do Bito e outras questões, também existe um arco menor do Spoiler Solidário e ao final o arco da montanha (que eu gosto muito).
    Marcel Ibaldo - Então sempre quando eu vou organizar a sugestão de ordem de tiras no livro e quais estarão nessa edição ou em uma próxima, organiza pastas com os arcos disponíveis e as tiras que não fazem parte de arcos, mas que funcionam conectando eles, dando coerência narrativa e evidenciando o amadurecimento dos personagens.
    Marcel Ibaldo - O Sonhorama, na verdade, apesar de ter mais desses aspectos bem evidentes, ainda é sobre uma fase da vida dos personagens, do mesmo modo que os outros eram. Então, tudo se conecta e tem um sentido maior ao fim da leitura, e isso é uma regra pessoal minha na criação das tiras: que elas funcionem individualmente sempre que possível (afinal são antes publicadas uma a uma nas redes sociais), mas também funcionem em um nível mais profundo na leitura em sequência quando o livro é lançado.

    Blog do Juvenal… - Mas vocês pensam em abandonar o formato tira isolada?

    Marcel Ibaldo - Não.
    Marcel Ibaldo - O Téo Rex: Ronin é um exercício nesse território da narrativa longa que é algo que a gente pretendia realizar há tempos. Foi muito legal e pretendemos revisitar o formato sempre que possível.
    Marcel Ibaldo - Mas a Tê Rex é uma série de tiras e não temos planos de mudar. Só que no livro elas passam a fazer parte de um todo maior e mais complexo.

    Observação: Téo Rex Ronin é uma edição especial, que expande o Tê Rexverso para novas possibilidades, a resenha desta edição em formatinho e com uma única história fechada estará aqui no futuro.

    Mencionei que no primeiro livro, eu havia encarado cada tira da comic shop como um dia diferente. Obtive a seguinte resposta:

    Marcel Ibaldo - Eu costumo dizer que o leitor completa a obra conforme sua própria percepção. Então tudo bem. Mas ali na ida pra comic shop é tudo mais sequencial, mesmo.

    Vamos a última pergunta:

    Blog do Juvenal… -  Como a Marcelli interfere nos roteiros? Pelos créditos, ela desenha, mas dá pra ver que há duas vozes ali.

    Marcel Ibaldo - “A gente conversa bastante e ambos palpitam no trabalho do outro.”
    Marcel Ibaldo -Mas ainda é bem dividido. Porém, a outra "voz" que tu talvez perceba talvez seja pelo fato de a Tê Rex ser tão definida quanto a quem é que influência diferente em cada frase.
    Marcel Ibaldo - A gente percebe isso e se algo escrito estiver em desacordo com a personalidade dela, na hora a gente veta.

    Concluindo esta resenha, de Sonhorama, também podemos destacar a adaptação pré-histórica nerd do conto O Corvo de Edgar Allan Poe. Bom, para os que quiserem experimentar as tiras antes de adquirir o(s) livro(s), o blog da Tê Rex está logo ali a um Google de distância. Marcel Ibaldo já publicou, entre outros títulos, The Hype em parceria com Max Andrade e que rendeu um troféu HQ Mix. Marcelli é a desenhista, também tem trabalhos anteriores ao primeiro livro da Tê, como Closed Window. Tê Rex já foi premiada com o troféu Gibifest e foi tema de um artigo no volume 3 de Artigos, Relatos e Cartas.

    Os extras são: um prefácio de Sâmela Hidalgo; a Tê Rex pelo traço de vários artistas consagrados dos quadrinhos nacionais, a minha preferida dessa vez foi a do Fred Rubim (As Três Sepulturas em parceria com Fábio Yabu). O livro tem lombada quadrada, 120 páginas em cores e, principalmente, muitas risadas! Agora, só me resta chover no molhado: a dupla de autores só melhora ao longo do tempo e das novas histórias!

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos


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