domingo, 22 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics Et Al, Organizado, Co-escrito e Co-desenhado por Melina Vaz & Rachel Paterman


     E não é que as nossas heroínas da ciência e dos quadrinhos arrumaram outros pares que fazem ciência e quadrinhos! Rachel Paterman e Melina Vaz acharam outras vozes para criar novas tiras sobre a pesquisa acadêmica no Brasil. O resultado disso é Academicomics Et Al. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics Et Al também reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação, em todos os sentidos.

Rodrigo Rosas Campos



sábado, 21 de março de 2026

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics de Melina Vaz & Rachel Paterman


    E não é que a Desorientanda, Rachel Paterman, achou uma outra cientista que também produz humor com o dia a dia acadêmico, a Real Doctor Melina Vaz. Juntas elas lançaram o Academicomics. Na promoção do evento Eisner Week 2026, primeiro dia, saiu a R$25,00. Lembrando sempre que é difícil falar de tiras e charges sem dar spoilers, então falarei da edição como um todo.

    Academicomics reúne tiras e charges que falam dos bastidores da vida acadêmica, dificuldade de apresentar projetos, de conseguir bolsas, financiamentos e de publicar artigos em revistas científicas renomadas. Fora as frustrações de tentar se viver de ciência num país em que nem a população valoriza a ciência, ou só valoriza na hora em que falta vacina.

    Apesar do pessimismo, o bom humor é sarcástico e inteligente, um quadrinho que merece ser lido e experimentado por todos, acadêmicos ou não! Desperte seu senso crítico, valoriza a pequisa científica e os profissionais que a praticam e boas leituras! Deixe comentários com carinho, bons argumentos e educação.

Rodrigo Rosas Campos


sexta-feira, 20 de março de 2026

Garimpando No Evento Eisner Week 2026: Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros


    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Por esse motivo, os eventos de quadrinhos no Brasil, por menores que sejam, precisam ser estimulados e divulgados. São momentos em que leitores e criadores de quadrinhos (escritores e desenhistas) podem interagir sem intermediários. A série “Garimpando No Evento...” fala de quadrinhos que foram comprados diretamente com os criativos nos eventos.

    Uma vez me perguntaram como ficar sabendo desses eventos, simples: acompanhem e sigam seus autores e suas editoras preferidos nas redes sociais. A pedra garimpada de hoje é o mini-gibi Feito por Uma Artista Vingativa de Beatriz Quadros, a Menina Canceriana, e foi garimpada no evento Eisner Week 2026, ao preço de R$20,00. 

    Falar sobre tiras é difícil, uma vez que elas são curtas, Feito por Uma Artista Vingativa traz pequenos poemas gráficos sobre mágoas, fim de namoro, arrependimentos, amizades afastadas pela vida adulta entre outras tristezas cotidianas. É uma obra bem curta, com pequenas obras bem curtas, mas tudo com muita intensidade, delicadeza, nem sempre, e, sobretudo, com expressividade e poder de síntese. A artista vingativa, menina canceriana, Beatriz Quadros, não tem medo de tocar em feridas e nem nas próprias feridas também.

    Fiquei feliz de poder ajudar esta artista que transformou mágoas em poesias gráficas, espero republicação em um formato maior e que venham outros projetos dela com propostas felizes também! Prestigiem os pequenos eventos de quadrinhos nas suas respectivas cidades. Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

sexta-feira, 13 de março de 2026

[Resenha] Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento de Al Stefano

    E a profecia se realizou, o sertão virou mar e o nordeste brasileiro ficou reduzido a ilhas nesse novo mar do sertão. Neste mundo alternativo habitado por bichos antropomorfizados, os cangaceiros são piratas que saqueiam as ilhas do nordeste. É neste contexto que o mão-pelada Biu Marrento narra sua história para o sapo cangaceiro-pirata que o vigia depois de ser capturado pelo Vela Seca, o bode capitão pirata cangaceiro, em quem Biu passara a perna tempos antes.

    Mas não se engane com o visual “fofo” de animais antropomorfizados, a história de Biu Marrento é recheada de traições familiares, opressão pelos coronéis donos das terras das ilhas, muita batalha, sangue derramado e mortes. Sim, Piratas do Cangaço: A História de Biu Marrento, com textos, desenhos e arte final de Al Stefano, é uma história de piratas com tudo o que tem direito, até violência, traições e mortes. Biu Marrento quer vingar a morte de seu pai e resgatar sua irmã das garras de um poderoso coronel dono de terras, mal sabe ele as surpresas que o esperam.

    A história de Biu Marrento é a segunda história da série Piratas do Cangaço, mas não se desespere! Todas as histórias dessa série são completas e fechadas! Você não precisa ler o primeiro volume para entender o segundo e o segundo não tem spoilers do primeiro. Al Stefano, o escritor e desenhista que criou este mundo, é hábil o suficiente para fazer histórias diferentes no mesmo mundo se conversarem sem que uma vire pré-requisito para outra. Al Stefano tem talento de verdade.

    Piratas do Cangaço tem formato franco-belga (um pouquinho menor), lombada quadrada, capa cartão, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições, R$45,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. Vale cada centavo! Então, não se aperreie, levante a ancora, ice as velas e navegue por essa aventura recheada de batalhas e traições!

    Boas leituras, ho ho ho e uma garrafa de cachaça!

    Rodrigo Rosas Campos



quinta-feira, 12 de março de 2026

Garimpando Em Gibiterias: Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva

 

+18

    O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Lá fora, grandes obras permanecem em catálogo permanente tal como livros clássicos. Os editores de quadrinhos nacionais são bem imediatistas e até mesmo obras como Fradim, Watchmen, Piratas do Tietê e Maus ficam difíceis de encontrar de tempos em tempos. A série “Garimpando em Gibiterias” fala de quadrinhos que valem a pena “garimpar” em gibiterias, sebos, estoques antigos de livrarias virtuais, feiras de livros e, se a grana estiver muito curta, em bibliotecas públicas. Sim, existem quadrinhos em bibliotecas públicas, é só procurar.

    A pedra garimpada de hoje é Gatão de Meia Idade 1 de Miguel Paiva, texto e desenhos, pela editora Objetiva de 1995, achada em uma feira do livro por R$ 10,00.

    Na década de 1990, Miguel Paiva bombava no Jornal do Brasil com 3 personagens, na revista de Domingo do Jornal do Brasil, havia a Radical Chic, sua personagem mais famosa, publicada semanalmente na última página da revista em histórias de uma única página inteira. Nas tiras do JB, ele dividia com Luis Fernando Veríssimo a adaptação de Ed Mort para os quadrinhos.

    Mas o sucesso da Radical levou o autor a criar mais dois personagens e, naquele mesmo universo, surgiram O Gatão de Meia Idade e Chiquinha. Esta resenha é sobre o primeiro livro compilando as primeiras tiras do Gatão de Meia Idade. Enquanto livro, Gatão de Meia Idade 1 não tardou a ser publicado, uma vez que o sucesso da Radical o impulsionou e este primeiro livro já foi feito em 1995, praticamente no mesmo período que as tiras originais saiam e que sua sequência continuava na seção de tiras do JB. Chiquinha não tardaria a chegar.

    Mas, para o desespero de alguns leitores novos, Gatão de Meia Idade 1 não possui nenhum tipo de extra, nem mesmo um prefacio ou posfácio do autor ou do editor, nada além das próprias tiras. Foi um livro lançado no calor do contexto em que foi produzido, não havia muito o que falar a mais sobre as tiras, seria redundante. Minto, tem um texto na contracapa sem assinatura. Um texto que pode ser encarado como uma sinopse oficial bem-feita (querendo ler, é só clicar na imagem para ampliá-la).

    Não tem como falar de tiras uma a uma sem dar spoilers, são tiras, mas o Gatão de Meia Idade é um sujeito divorciado, com uma filha adolescente as voltas com uma nova vida de solteiro e tentando novas relações com mulheres, as vezes consegue, as vezes não, as vezes é bom, as vezes não, seguindo a vida e tendo que se equilibrar neste contexto. Óbvio que, tendo uma filha adolescente, também precisa manter um relacionamento cordial com sua ex-esposa.

    Ironia, sarcasmo e muita reflexão crítica ácida sobre os costumes de nossa sociedade que levam homens e mulheres a terem perspectivas inalcançáveis em relação aos relacionamentos a dois. O modo como somos criados e que induzem a muitas diferenças artificiais entre os sexos é abordado nesse livro de forma inteligente e perspicaz.

    Em pleno 1995, Miguel Paiva se mostrou a frente de seu tempo usando humor para falar da sociedade da perspectiva de um divorciado mulherengo, um gatão de meia idade, com todas as suas inseguranças e medos em relação aos seus relacionamentos amorosos.

    Deixe seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação.

    Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “Garimpando em Gibiterias” e clique no botão “Pesquisar”. Ou digite apenas “garimpando” e encontrará títulos a mais em garimpos de eventos.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos


quarta-feira, 11 de março de 2026

[Resenha] Setembro: Quando Estivemos Aqui de André Freitas e Samuel Bono

    São Paulo, Praça da Sé, garotos de rua e mendigos começam a desaparecer enquanto as autoridades fazem vista grossa. Pedro, garoto de rua que vê seus amigos desaparecem, também conhecido como Pastel, chora a perda de seu cachorro. As coisas se complicam quando Pastel descobre e testemunha a ação de uma menina vampira nos arredores da praça. Ao mesmo tempo, Bicudo, o cachorro do livreiro dono de um sebo local começa a acompanhar Pastel enquanto ele faz uma inusitada amizade com Kugatsu, a menina vampira. Será essa memina vampira a causa dos desaparecimentos ou ela será acusada para acobertar os verdadeiros culpados?

    Setembro: Quando Estivemos Aqui foi escrito por André Freitas e desenhado por Samuel Bono, fala sobre os invisíveis da cidade de São Paulo; moradores de rua, crianças e adultos, e suas relações com padres, religiosos, policiais e pequenos comerciantes dos arredores de onde vivem. Relações essas que são, na maioria das vezes, bem conflituosas e ásperas.

    A leitura avança na medida em que o(a) leitor(a) se pergunta: quem está matando os garotos de rua? Será Kugatsu realmente inocente? Conseguirá Pastel descobrir o que aconteceu aos seus amigos desaparecidos? Que assuntos um padre pode ter com um vampiro? A polícia acreditará em vampiros? A trama tem 114 páginas de quadrinhos, mas comentá-la melhor é dar spoilers. O que pode ser dito é que o texto é contundente ao mostrar que os seres humanos são monstros maiores que qualquer ser sobrenatural seria e os desenhos são muito bem executados e expressivos.

    Setembro: Quando Estivemos Aqui tem formato americano, capa cartão, lombada quadrada, R$50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições, miolo preto e branco, publicado pela Zapata Edições e co-produzido pela Yes Cabrita. Vale cada centavo! Uma história de terror surpreendente a cada página.

    Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahaha!

    Rodrigo Rosas Campos


terça-feira, 10 de março de 2026

[Resenha] Homem-Grilo: O Acelerador Genético, A Volta do Herói Grilado por Cadu Simões, Fred Hildebrand e Daniel Esteves


    Neste novo volume da série do Homem-Grilo pela Zapata Edições, temos duas histórias inéditas e completas: O Acelerador Genético com texto de Cadu Simões e desenhos de Fred Hildebrand; e Homem-Grilo no Griloverso com texto de Daniel Esteves e desenhos de Fred Hildebrand. Duas histórias recheadas de humor parodiando os quadrinhos de super-heróis com um jeitinho bem brasileiro.

    Em O Acelerador Genético, alunos desaparecem do campus universitário e um cientista é sequestrado por uma misteriosa criatura grilo. O Homem Grilo se junta a Garota Cri-Cri para desvendar esse mistério e, no processo, descobrir a origem do grilo radioativo que deu poderes a ele e a Garota Cri-Cri. Essa é a primeira vez que a origem do Homem-Grilo é mostrada em quadrinhos.

    Em Homem-Grilo no Griloverso, o Doutor Dogueiro pretende ser o único a vender cachorro quente em Osasco. Porém, se Osasco deixar de ser a capital do cachorro quente do Brasil em um único universo, todo o multiverso e toda a realidade entrarão em colapso; é o efeito borboleta em versão hot-dog.

    Eis que nosso herói é convocado pela Equipe do Multiverso Grilo para impedir tal ruptura em todas as realidades. Nesta equipe estão variantes de pessoas grilo de vários universos, incluindo a Mulher-Grilo, a líder, e uma variante dele mesmo mais experiente e que já aprendeu a usar todos os poderes; isso mostra que sempre acompanharemos a versão mais noob e apatetada possível do Homem-Grilo em suas histórias mais contemporâneas.

    Mesmo sendo paródias rasgadas, escrachadas e sinceras dos quadrinhos de super-heróis, os roteiros de Simões e Esteves superam em muito as atuais publicações da distinta concorrente(DC) e da plantação(Marvel). Fred Hildebrand desenha, arte-finaliza e colore a edição de modo a enfatizar a graça nos textos dos roteiristas, mostrando que o Homem-Grilo até sabe fazer pose, mas a perde rapidinho pelo seu medo de barata. Homem-Grilo: Acelerador Genético é em cores, lombada quadrada, capa cartão, formato paraguaio, preço R$ 50,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. E o melhor, pode ser lido por todas as idades!

    Sempre lembrando que as histórias desse volume são inéditas e completas, você não precisa ler absolutamente nada nem anterior, nem posterior a esta edição. Ao contrário da plantação e da distinta concorrente, Cadu Simões, os demais escritores, os desenhistas do Homem-Grilo e a Zapata Edições respeitam seu público leitor. É um quadrinho indicado para quem nunca leu quadrinhos, para quem gosta de quadrinhos em geral e para quem gosta de super-heróis particularmente. Um ótimo presente para todas as idades. E se a grana estiver realmente curta, as histórias do Homem-Grilo e sua turma podem ser lidas de graça no site oficial do Homem-Grilo.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

Garimpando no Evento Eisner Week 2026: Academicomics Et Al, Organizado, Co-escrito e Co-desenhado por Melina Vaz & Rachel Paterman

     E não é que as nossas heroínas da ciência e dos quadrinhos arrumaram outros pares que fazem ciência e quadrinhos! Rachel Paterman e Me...