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Fortemente aconselhável para todas as idades!
Eis que o universo da Tê Rex não para de se expandir. Nessa inauguração da linha maior chamada Tê Rexverso, agora temos dos zines em formato He-Man do mascote da Tê Rex, Bito, um trilobita. Os textos são de Marcel Ibaldo e os desenhos são de Marcelli Ibaldo. O preço de cada uma dessas edições especiais é de R$ 8,00 (mais o eventual frete), com os autores nas redes sociais, Instagram, inclusive.
Com o traço delicado de Marcelli e os textos singelos de Marcel, vemos, da perspectiva de u simpático bichinho de estimação a importância de uma boa soneca, no primeiro livrinho, e de uma boa graminha, no segundo livrinho. Estes volumes são altamente indicados para crianças em processo de alfabetização, mas adultos pais e mães de pets vão amar também.
Como se tratam de dois poemas curtinhos, falar muito é dar spoilers e todos no universo da Tê Rex tem tanto medo de spoilers quanto de meteoros.
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
Eis que chegou o dia do universo da Tê Rex se expandir. Nessa inauguração da linha maior chamada Tê Rexverso, temos uma aventura do irmão mais novo da Tê, o Téo Rex, no papel de um ronin, samurai sem mestre, num Japão feudal nerd e fantasioso, em uma edição com aventura fechada, Téo Rex: Ronin. Os textos são de Marcel Ibaldo e os desenhos são de Marcelli Ibaldo. O preço dessa edição especial é de R$ 20,00 (mais o eventual frete), por hora com os autores (podem ser achados no Instagram).
Não é um livro de tiras, é uma história em quadrinhos fechada em uma edição num formatinho mais caprichado. Téo Rex é um ronin, solitário e um pouco triste, em busca de um lanchinho que se depara com criminosos querendo perturbar sua preciosa hora de refeição. Além da arte em aquarela da Marcelli o texto é de uma doçura ímpar por parecer mesmo vindo de uma criança pequena brincando de samurai e usando, em sua narração em primeira pessoa, conceitos e estilos que nem o narrador entende em sua totalidade.
A voz do personagem é a voz de um garoto pequeno brincando de samurai usando as referências dos mais velhos a sua volta. Influências de Lobo Solitário e Usagi Yojimbo na veia, pena que a revista é fininha e falar mais seria dar spoilers. Vale muito a pena, principalmente para presentear uma criança. Os autores puseram muito coração nessa revista.
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
Nada é mais avançado que um básico bem executado! Em Tê Rex: Sonhorama, com roteiros de Marcel Ibaldo e arte de Marcelli Ibaldo temos tiras muito, mas muito bem executadas mesmo! Bem executadas, divertidas, inteligentes e para todas as idades! Isso forma público novo. As tiras já foram publicadas no blog da Tê Rex, que está com tiras mais novas neste momento. Editada em livro pela Avec Editora. Preço: R$ 39,90 (mais o eventual frete).
As tiras contam as aventuras de Teresa Rex, ou Tê Rex para os amigos, ou Tê para os muito amigos, uma tiranossaura rex nerd que vive em meio ao mundo nerd da pré-história. Esta valente dinossaura adolescente encara todos os perigos da pré-história nerd sem medo, mas novos desafios surgem, alguns bem piores que os terríveis spoilers.
Neste quarto volume vemos Tê e seu irmãozinho Téo as voltas com novos desafios. Agressões grosseiras travestidas de opiniões e piadas; um pai faz tudo (que não faz nada direito); as aventuras do Pteroman, um herói com o qual ninguém gostaria de se identificar e o dia em que Bito fugiu de casa, será que Tê, sua família e seus amigos conseguirão encontrar o simpático trilobita?
Sempre temos tiras que retratam o aumento da pilha de leitura, as estantes que lotam rápido e as promoções imperdíveis que quebram as tentativas de só comprar coisas novas depois de vencida a pilha de leitura. Neste volume, isso não é diferente, as reflexões sobre o modo como consumimos quadrinho e cultura pop em geral continuam lá, com destaque para a tiras das páginas 17, 19, 70 e 71, estas últimas dedicadas ao Patric.
Mas nesse livro, os arcos de tiras com temáticas mais específicas foram ainda mais explícitos que nos volumes anteriores. A primeira série fala sobre agressões travestidas como opiniões e piadas e o quanto elas agridem e machucam, com destaque para a tira da página 11, a mais contundente. A segunda série mais longa foi a do pai que conserta tudo, mas de forma malfeita, de modo que as boas intenções se perdem nas péssimas execuções e isso garante boas gargalhadas.
A sequência do Pteroman, páginas 56 até 69, mostra a ingrata luta de um super-herói contra os boletos, juros de cartões de créditos e o modo como o consumo também nos consome. Um herói que mostra que querer se identificar com o herói não é a mesma coisa que querer se projetar no herói, ninguém vai querer se projetar no Pteroman, todos se identificarão a contragosto com ele. Por isso mesmo, essa foi a maior sacada dessa edição. Por fim, outra grande sequencia é a da fuga do Bito, que vai da página 83 até a 103, fechando as tiras do livro antes da Galeria de Convidados.
Estas quatro sequências de tiras bem explícitas me motivaram a fazer perguntas sobre o futuro da série e fui autorizado a publicar estas perguntas e respostas aqui! Então, antes de concluir essa resenha, fique como uma mini entrevista com Marcel Ibaldo no Instagram:
Blog do Juvenal...- Nos livros anteriores, sempre houve uma série, no primeiro foi o Planeta Dusumano, o segundo o Zap Zombie, a Tê maratonando séries, o terceiro o jovem Téo, literalmente, devorando os livros da Tê, mas era uma série por livro. Neste tiveram as sequências agressividade e preconceito travestidas de opiniões e piadas; o pai faz tudo (mal feito); o Pteroman e a fuga do Bito. A série vai ter mais histórias maiores? Está havendo uma transição das tiras para revistas ou álbuns?
Marcel Ibaldo - Eu organizo todos os livros com uma quantidade de arcos em cada um.
Marcel Ibaldo - Alguns são menos perceptíveis, mas sempre estão lá.
Marcel Ibaldo - O Spoilerfobia é que tem menos desse formato porque estávamos ainda testando, e na época nem pensávamos em reunir tudo em um livro.
Marcel Ibaldo - De todo modo, apesar de o arco do Planeta Duzumano ser o mais marcante, também tem um arco da ida à comic shop.
Marcel Ibaldo - No Zapzombie que essa estrutura em arcos passa a ser já planejada com mais antecedência.
Marcel Ibaldo - Nele, apesar de o título do livro apontar pra questão das séries/zumbis, o arco mais marcante pra mim é o flashback da infância da Tê, e todo o contexto e consequências que ele traz pra série até hoje (e pra sempre).
Marcel Ibaldo - No Livrofagia além do arco da chegada do Téo, que é o maior e engloba inclusive a chegada do Bito e outras questões, também existe um arco menor do Spoiler Solidário e ao final o arco da montanha (que eu gosto muito).
Marcel Ibaldo - Então sempre quando eu vou organizar a sugestão de ordem de tiras no livro e quais estarão nessa edição ou em uma próxima, organiza pastas com os arcos disponíveis e as tiras que não fazem parte de arcos, mas que funcionam conectando eles, dando coerência narrativa e evidenciando o amadurecimento dos personagens.
Marcel Ibaldo - O Sonhorama, na verdade, apesar de ter mais desses aspectos bem evidentes, ainda é sobre uma fase da vida dos personagens, do mesmo modo que os outros eram. Então, tudo se conecta e tem um sentido maior ao fim da leitura, e isso é uma regra pessoal minha na criação das tiras: que elas funcionem individualmente sempre que possível (afinal são antes publicadas uma a uma nas redes sociais), mas também funcionem em um nível mais profundo na leitura em sequência quando o livro é lançado.
Blog do Juvenal… - Mas vocês pensam em abandonar o formato tira isolada?
Marcel Ibaldo - Não.
Marcel Ibaldo - O Téo Rex: Ronin é um exercício nesse território da narrativa longa que é algo que a gente pretendia realizar há tempos. Foi muito legal e pretendemos revisitar o formato sempre que possível.
Marcel Ibaldo - Mas a Tê Rex é uma série de tiras e não temos planos de mudar. Só que no livro elas passam a fazer parte de um todo maior e mais complexo.
Observação: Téo Rex Ronin é uma edição especial, que expande o Tê Rexverso para novas possibilidades, a resenha desta edição em formatinho e com uma única história fechada estará aqui no futuro.
Mencionei que no primeiro livro, eu havia encarado cada tira da comic shop como um dia diferente. Obtive a seguinte resposta:
Marcel Ibaldo - Eu costumo dizer que o leitor completa a obra conforme sua própria percepção. Então tudo bem. Mas ali na ida pra comic shop é tudo mais sequencial, mesmo.
Vamos a última pergunta:
Blog do Juvenal… - Como a Marcelli interfere nos roteiros? Pelos créditos, ela desenha, mas dá pra ver que há duas vozes ali.
Marcel Ibaldo - “A gente conversa bastante e ambos palpitam no trabalho do outro.”
Marcel Ibaldo -Mas ainda é bem dividido. Porém, a outra "voz" que tu talvez perceba talvez seja pelo fato de a Tê Rex ser tão definida quanto a quem é que influência diferente em cada frase.
Marcel Ibaldo - A gente percebe isso e se algo escrito estiver em desacordo com a personalidade dela, na hora a gente veta.
Concluindo esta resenha, de Sonhorama, também podemos destacar a adaptação pré-histórica nerd do conto O Corvo de Edgar Allan Poe. Bom, para os que quiserem experimentar as tiras antes de adquirir o(s) livro(s), o blog da Tê Rex está logo ali a um Google de distância. Marcel Ibaldo já publicou, entre outros títulos, The Hype em parceria com Max Andrade e que rendeu um troféu HQ Mix. Marcelli é a desenhista, também tem trabalhos anteriores ao primeiro livro da Tê, como Closed Window. Tê Rex já foi premiada com o troféu Gibifest e foi tema de um artigo no volume 3 de Artigos, Relatos e Cartas.
Os extras são: um prefácio de Sâmela Hidalgo; a Tê Rex pelo traço de vários artistas consagrados dos quadrinhos nacionais, a minha preferida dessa vez foi a do Fred Rubim (As Três Sepulturas em parceria com Fábio Yabu). O livro tem lombada quadrada, 120 páginas em cores e, principalmente, muitas risadas! Agora, só me resta chover no molhado: a dupla de autores só melhora ao longo do tempo e das novas histórias!
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
Gabriel é um dramaturgo, ator, diretor e dono da Companhia Vanguarda Teatral, Lorena é aluna de Gabriel e a melhor atriz da companhia e Juan é aluno de Gabriel e o melhor ator da companhia. Eles faziam grande sucesso, até que a ditadura militar resolveu censurá-los, mas antes do Ato Institucional Número 5, o A.I.5, eles tiveram seu teatro incendiado. Depois do A.I.5, a peça de maior sucesso da Companhia até então foi proibida e Gabriel se refugiou numa chácara antes deles partirem para o exílio na Itália.
Foi no refúgio em sua chácara que Gabriel escreveu a peça Remédio Amargo que teve de ser dirigida por Juan e interpretada por Lorena. Mas em meio a ditadura militar e aos anos de chumbo a vida normal seguia. Lorena já tivera um caso com Gabriel e ela e Juan eram melhores amigos. Depois que a equipe do teatro fora espancada por agentes da ditadura, a Companhia toda saiu do Brasil em exílio e encenaram a peça proibida na Itália em plena copa do mundo de 1970.
A história é contada em parte pela perspectiva de Juan e em parte pela perspectiva de Lorena. Gabriel, o personagem que une os narradores é apenas descrito por eles, que, apesar de o retratarem de forma brilhante e severa ao mesmo tempo, admitem não conhecê-lo plenamente. Lorena comenta inclusive o quanto os jornais de fofoca inventaram sobre ela e o quanto as histórias de Gabriel que ela não vivenciou são questionáveis.
A perseguição política na vida de atores e as marcas deixadas por essa perseguição são mostradas de forma exemplar. Ato 5 tem texto de André Diniz e desenhos de José Aguiar. Os desenhos são lindos e o texto mostra que o escritor conviveu e ouviu histórias de sobreviventes da ditadura para compor essa ficção histórica. Ou, no mínimo, é de se supor, que André Diniz leu muitos relatos de sobreviventes sobre a época.
A atual edição é da editora Conrad, da coleção HQ Para Todos, publicada em 2024, R$ 14,90 em uma livraria física. A história foi terminada em 2003, só foi publicada originalmente em 2009 no selo Quadrinhofilia com o apoio da Itiban Comic Shop e do coletivo Quarto Mundo. Ato 5 é uma história que retrata um tempo de ditadura militar no Brasil que não pode ser ignorado, esquecido ou atenuado, afinal, temos que lutar ativamente para não repetirmos os erros passados e não perder a democracia conquistada a base de muito sofrimento, dor e mortes. Temos que lutar, votar e cobrar dos eleitos do legislativo e do executivo pela manutenção da democracia, expansão de direitos, garantias de exercícios de direitos e para que o pior da história não se repita jamais. Deixem seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação. Boas leituras.
Rodrigo Rosas Campos
Rodrigo Rosas Campos
Rodrigo Rosas Campos
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