Gabriel é um dramaturgo, ator, diretor e dono da Companhia Vanguarda Teatral, Lorena é aluna de Gabriel e a melhor atriz da companhia e Juan é aluno de Gabriel e o melhor ator da companhia. Eles faziam grande sucesso, até que a ditadura militar resolveu censurá-los, mas antes do Ato Institucional Número 5, o A.I.5, eles tiveram seu teatro incendiado. Depois do A.I.5, a peça de maior sucesso da Companhia até então foi proibida e Gabriel se refugiou numa chácara antes deles partirem para o exílio na Itália.
Foi no refúgio em sua chácara que Gabriel escreveu a peça Remédio Amargo que teve de ser dirigida por Juan e interpretada por Lorena. Mas em meio a ditadura militar e aos anos de chumbo a vida normal seguia. Lorena já tivera um caso com Gabriel e ela e Juan eram melhores amigos. Depois que a equipe do teatro fora espancada por agentes da ditadura, a Companhia toda saiu do Brasil em exílio e encenaram a peça proibida na Itália em plena copa do mundo de 1970.
A história é contada em parte pela perspectiva de Juan e em parte pela perspectiva de Lorena. Gabriel, o personagem que une os narradores é apenas descrito por eles, que, apesar de o retratarem de forma brilhante e severa ao mesmo tempo, admitem não conhecê-lo plenamente. Lorena comenta inclusive o quanto os jornais de fofoca inventaram sobre ela e o quanto as histórias de Gabriel que ela não vivenciou são questionáveis.
A perseguição política na vida de atores e as marcas deixadas por essa perseguição são mostradas de forma exemplar. Ato 5 tem texto de André Diniz e desenhos de José Aguiar. Os desenhos são lindos e o texto mostra que o escritor conviveu e ouviu histórias de sobreviventes da ditadura para compor essa ficção histórica. Ou, no mínimo, é de se supor, que André Diniz leu muitos relatos de sobreviventes sobre a época.
A atual edição é da editora Conrad, da coleção HQ Para Todos, publicada em 2024, R$ 14,90 em uma livraria física. A história foi terminada em 2003, só foi publicada originalmente em 2009 no selo Quadrinhofilia com o apoio da Itiban Comic Shop e do coletivo Quarto Mundo. Ato 5 é uma história que retrata um tempo de ditadura militar no Brasil que não pode ser ignorado, esquecido ou atenuado, afinal, temos que lutar ativamente para não repetirmos os erros passados e não perder a democracia conquistada a base de muito sofrimento, dor e mortes. Temos que lutar, votar e cobrar dos eleitos do legislativo e do executivo pela manutenção da democracia, expansão de direitos, garantias de exercícios de direitos e para que o pior da história não se repita jamais. Deixem seus comentários com carinho e educação, pois eles serão lidos com carinho e educação. Boas leituras.
Rodrigo Rosas Campos









