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O mercado de quadrinhos no Brasil é muito fraco, sejamos honestos. Lá fora, grandes obras permanecem em catálogo permanente tal como livros clássicos. Os editores de quadrinhos nacionais são bem imediatistas e até mesmo obras como Fradim, Watchmen, Piratas do Tietê e Maus ficam difíceis de encontrar de tempos em tempos. A série “Garimpando em Gibiterias” fala de quadrinhos que valem a pena “garimpar” em gibiterias, sebos, estoques antigos de livrarias virtuais, feiras de livros e, se a grana estiver muito curta, em bibliotecas públicas. Sim, existem quadrinhos em bibliotecas públicas, é só procurar.
Sabe aquelas histórias sensacionalistas de tabloides e programas de TV nada confiáveis que envolvem até E.T.s e seres sobrenaturais? Pois bem, esta é a matéria-prima das histórias em quadrinhos de Dossiê Bizarro. Aqui, os autores pegaram essas notícias esdrúxulas e as transformaram em divertidas histórias de quadrinhos de terror. E, se as histórias parecem exageradas e apelativas, é porque são exageradas e apelativas mesmo. É sensacionalismo adaptado para quadrinhos.
Quanto a algumas das 11 histórias: a mais surpreendente foi Dies Irae, escrita e desenhada por Daniel Sousa. A melhor foi O Desejo Oculto Nas Trevas, com texto e desenhos de Laudo Ferreira. A mais atual (embora e execução seja clichê) é Ponto de Fuga com roteiro de Douglas Freitas, desenhos, The Immigrant e letras de johnny C. Vargas. A mais emblemática é Possessão, que tem como base uma história real de verdade, com roteiro de Alex Mir e desenhos de Júlio Shimamoto, essa história narra o crime do poço acontecido na casa que existia no terreno de onde seria construído o edifício Joelma. Por conta desse crime no qual um homem matou a mãe e duas irmãs jogando-as num poço que mandara construir, o edifício Joelma foi considerado assombrado muito antes do incêndio.
Essas histórias ou foram baseadas em sensacionalismos anteriores a Internet ou serviram de base para lendas urbanas anteriores a rede. Circularam em jornais, programas de televisão de qualidade duvidosa mesmo até os anos 1990 e no boca a boca. No caso dos programas de TV, com depoimentos “reais” bem canastrões, dúbios, muito duvidosos e pouco convincentes. Interessante notar como fake news e teorias conspiratórias fascinam as pessoas até os dias de hoje, parece que algumas pessoas querem realmente acreditar. Os extras possuem depoimentos dos autores sobre os acontecimentos que os levaram a fazer as histórias bem como as biografias dos mesmos. Publicado em 2020, formato americano, lombada quadrada, capa cartão, miolo em preto e branco, editado pela Skript.
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Boas leituras e bons sonhos, se puder, hahaha!
Rodrigo Rosas Campos
