O quinto e mais novo exemplar da série São Paulo dos Mortos, escrito por Daniel Esteves, traz 3 histórias inéditas e completas nessa São Paulo pós apocalíptica infestada de zumbis. E antes que alguém pergunte, não é preciso ler as anteriores para entender essas novas histórias, isso é respeito para com os leitores! Lembrando que todas as histórias são escritas por Daniel Esteves, vamos agora falar das histórias:
Diário do Fim do Mundo tem desenhos de Kris Zullo e trata de um jornal distribuído na São Paulo dos mortos por um veterano jornalista, Vlad, e sua intrépida assistente, Deborah. Eles improvisam, escrevem, editam, imprimem e distribuem um jornal impresso como dá, para que informações de qualidade cheguem a um maior número de vivos que podem escapar da pandemia zumbi e dos próprios zumbis. Mas, no vácuo de poder legal e institucional, vivos mal-intencionados ganham poderes políticos reais nesse novo mundo caótico. A última notícia publicada pelo jornal irritou gente poderosa o suficiente para Deborah perceber fogo na redação do jornal e partir em disparada para salvar Vlad desse incêndio. É um conto, se eu falar só um pouco a mais, entrego o final e o meio. É a história da capa e é a melhor da edição.
Amor, Drone e Cigarros tem desenhos e arte-final de Carlos Gritti e esboços de Samuel Bono. Um stalker usa um drone para espionar uma garota que se sente visivelmente incomodada com a situação. Um dia, em vez de tentar derrubar o drone, a garota resolve colar um bilhete na máquina com durex. O stalker entende este gesto como um gesto de amor e sai de sua casa para se encontrar com a garota. Mas estamos num mundo de zumbis, tudo o que não está certo sempre pode dar ainda mais errado.
Gibis São Um Ótimo Remédio tem desenhos de Fred Hildebrand e traz de volta o Morto Boy. Nessa história, nosso simpático moto boy do fim do mundo precisa conseguir um remédio com uma mulher conhecida como a Farmacêutica, que curte mangás e quer uma edição rara que nosso herói não tem. Assim sendo, ela propõe que ele a leve na garupa para uma das gibiterias da cidade. Será que ele conseguirá o mangá raro que é o preço do remédio para o tiozinho diabético?
A parte gráfica e a narrativa gráfica delas são igualmente excelentes, minha predileção pela primeira história (que é o destaque da capa) se deu pelo texto. Cada desenhista imprime um traço e um estilo diferente, mas tudo se conversa. Em todas as histórias, a São Paulo dos mortos é suja e os mortos-vivos não são as únicas ameaças aos protagonistas.
Como já dito, são 3 histórias inéditas e completas, de modo que a leitura dos anteriores não é obrigatória. São Paulo dos Mortos V tem capa cartão, lombada canoa, miolo em preto e branco, R$25,00 (mais eventual frete) no site da Zapata Edições. É uma excelente pedida para quem gosta de quadrinhos de modo geral, terror e histórias de mortos-vivos mais especificamente.
É São Paulo, é Brasil e é o jeito de falar dos paulistas ao contar esse tipo de história; isso é que dá um diferencial. Só não entendi porque grawlixes substituíram os palavrões, afinal, as maiores violências desse tipo de história não são verbais. Enfim, caso sua criança não tenha medo, ela verá violência, terror e horror, mas não palavrões. Indicado para todas as idades? Veja bem, é terror...
Boas leituras e, se puder, bons sonhos, hahahahahahaha!
Rodrigo Rosas Campos

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