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Atenção! Algumas tiras desta e de outras séries são exclusivas do blog do Juvenal, o Velho Hippie. Venha e descubra quais exclusivas são!
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Algumas tiras desta e de outras séries são exclusivas do blog do Juvenal, o Velho Hippie. Venha e descubra quais exclusivas são!
A série de revistas Escafandro, da Ultimato do Bacon Editora, nos traz Leia Isto Antes Que Seja Tarde, uma história original escrita por Cesar Filho, desenhada, arte-finalizada e colorida por Jean Lins.
A história explora todo potencial da mídia quadrinhos, onde a realidade muda a cada página; os desenhos e a narrativa gráfica são o ponto alto da edição.
No início, vemos crianças brincando de polícia e ladrão, mas, de repente, depois de um acidente, o protagonista se pega descobrindo limites e possibilidades inerentes a linguagem dos quadrinhos e se vê um detetive resolvendo um grande mistério e tendo que impedir uma bomba de explodir.
A proposta funciona? Ao meu ver, não muito. A narrativa gráfica é ótima, mas o roteiro misturou tantas referências que, mesmo que o leitor pegue as referências, a trama ficou confusa demais. Este é um quadrinho que não funcionou comigo. Misturar história infantil, elementos de realidade virtual à Matrix, história de detetives e easter eggs de mangá no final só agradará quem já estiver predisposto a gostar de miscelâneas. Já vi muitas histórias que questionavam a realidade sem perder o foco, com interpretações bem abertas e “Leia Isto… Antes Que Seja Tarde!” perde todos os focos. Mesmo um texto propositalmente viajado pede algum foco.
Todavia é uma história fechada, ainda que com final (e meios) em aberto e minha opinião não é absoluta, assim como a opinião de ninguém é absoluta. Quem gostar de completar lacunas, adorará essa história. O ponto que me incomodou é que o texto não me convida a completar lacunas, ele me obriga a completar lacunas. “Explicação de mais é chato”, eu sei, mas explicação de menos parece que esqueceram de alguma coisa, foco, talvez. Se eu posso escolher sobre o que a história fala é porque parece que se esqueceram de perguntar “o que exatamente queremos contar?”.
Estou sendo muito exigente? Sim, já li O Guia do Mochileiro das Galáxias, é viajado, mas o autor sabe onde quer ir e consegue levar improvisos para algum lugar ou a mais lugares de forma clara. Já vi metalinguagem ser melhor usada em Maurício de Sousa e diagramações e narrativas gráficas alternativas melhor usadas em tudo que Alam Moore fez. Enfim, espero, de coração, que os demais leitores gostem.
A edição possui formato americano, lombada canoa grampeada, em cores, R$22,00 mais o eventual frete. Está a venda na loja virtual da editora Ultimato do Bacon e em gibiterias e livrarias reais e virtuais. Deixe seu comentário com carinho e educação pois ele será lido com carinho e educação.
Boas leituras,
Rodrigo Rosas Campos
Crônicas da Província é uma história em quadrinhos que tem história. Inicialmente ela foi publicada em 3 partes numa revista editada pelo próprio Wander Antunes, o autor, com os desenhos em preto e branco de Mozart Couto. Depois foi publicada em um único volume em preto e branco com o selo da Via Lettera.
Crônicas da Província é uma ficção histórica que fala do coronelismo na primeira república do Brasil no interior do país. Um tempo e um espaço em que os grandes latifundiários donos de terra, os chamados coronéis, ditavam as leias sobre uma população predominantemente rural que não tinha as garantias legais das grandes capitais. Soa familiar ainda hoje? Infelizmente, sim, mas hoje a população do Brasil não é mais predominantemente rural.
A história começa quando um coronel percebe que a filha de um de seus peões está grande o suficiente para sua lascívia. O pai se recusa a entregar a filha virgem para o coronel e um conflito que se estenderá por anos começa com balas envolvendo o pai viúvo, a filha e o irmão mais novo dela contra o coronel e seus capangas.
É uma história sobre poder em uma terra em que a lei não alcança os mais necessitados, é uma história realista, uma ficção que pode acontecer ou ter acontecido em todo o interior de nosso país agrário com alguma variação, por fim, é uma história sobre poder, portanto econômica, social e política em forma de uma história de vingança. A atual edição de Crônicas da Província tem os textos de Wander Antunes, os desenhos de Mozart Couto e traz uma história a mais inédita e a colorização de Wander Antunes. Publicada em conjunto com as editoras Trem Fantasma e Ultimato do Bacon Editora.
Normalmente, não curto cores, principalmente cores digitais, mas as cores aplicadas por Wander no desenho de Mozart intensificam as emoções dos personagens e o clima de angústia, injustiça e opressão vividos pelos mesmos naquele cenário.
O preço final da edição é de R$ 46,00 (mais o eventual frete), miolo em cores, lombada quadrada, formato magazine. Foi publicada através de financiamento coletivo e, dependendo de quando você lê este texto, ainda pode ter apoiadores(as) recebendo primeiro.
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
1987 foi um ano histórico para o basquete brasileiro, foi o ano dos décimos jogos Pan-americanos. Pela primeira vez, uma seleção brasileira vencia a seleção norte-americana nos EUA. Ouro para o Brasil no basquete sobre os EUA. Oscar e o Pan de 87 com pesquisa e texto de Milena Azevedo e desenhos de Isaque Sagara conta como foi essa trajetória desde a primeira partida até o segundo tempo do último jogo em que tudo virou a favor do Brasil sobre os EUA.
Mas nossa história começa quando Oscar visita o local do jogo em 2002 e descobre que o estádio fora demolido para dar lugar a um estacionamento. Os estadunidenses quiseram apagar a história, mas a verdade é que aquela vitória do Brasil sobre os EUA mudou o modo como os próprios norte-americanos viam o basquete profissional.
Da perspectiva de Oscar, vemos ele e seus companheiros jogo a jogo e nos intervalos entre os jogos. Momentos de perrengue e humor se alternam entre um jogo e outro. Além do quadrinho em si, muitos textos, o do próprio jogador homenageado, que não podia faltar, especialista em cestas de 3 pontos e outros de pessoas que testemunharam o feito na época. Nem os jogadores brasileiros acreditavam até ver que era possível e começarem a jogar sem medo de errar, um placar final de apenas 5 pontos a favor do Brasil.
Milena e Isaque reconstroem os melhores momentos das partidas em quadrinhos para lá de dinâmicos. É uma edição para se ler inteira, não só a parte de quadrinhos. Para quem gosta de quadrinhos ou esporte ou basquete é um belo presente, uma excelente leitura.
O preço da edição é de R$ 45,00 (mais eventual frete), miolo em cores, lombada quadrada, formato americano. Já nas lojas da Ultimato do Bacon, Memorabília do Esporte e em livrarias e gibiterias reais e virtuais.
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
A lenda de Robert Johnson contada em quadrinhos por Isaque Sagara, pesquisa, texto, desenhos, arte-final e cores, é disso que se trata Amor em 12 Compassos, um poema gráfico de amor, terror e jazz. A pedra garimpada de hoje é Zorro de Johnston McCulley adaptado para os Quadrinhos por Alex Toth e foi garimpada no evento NitComics 2022; formato magazine, lombada quadrada, capa cartão com orelhas, miolo preto e branco, R$120,00. Eu sei, está muito caro, mas vale cada centavo. Trata-se do resgate de um material que vale a pena ter e guardar, está em catálogo permanente nos EUA, mas que por aqui nunca mais foi republicado. Deixe de comprar mensais por um tempo e terá um material que é referência para artistas até hoje.
A história desta edição começa com a icônica série da Disney estrelada por Guy Williams no papel de Zorro/Don Diego DeLaVega. Não demorou muito e a Disney investiu em produtos licenciados desse série, incluindo uma série em quadrinhos oficial. No início, os quadrinhos foram feitos por Alex Toth, a Disney enviava os roteiros da série para que Toth os transformasse em quadrinhos. Mas o desenhista só produziu 16 histórias, todas nesta edição.
Acontece que Toth modificava o material sem consultar Disney e chegou a escrever e desenhar histórias que não estavam na série, bem como a modificar o que foi para a TV a fim de melhor encaixar o conteúdo na mídia quadrinhos. A Disney não gostou disso, por isso só há essas 16 histórias de Zorro por Alex Toth.
O Zorro de Alex Toth pela Disney saiu originalmente em cores, mas as mudanças tecnológicas das gráficas ao longo do tempo fazem com que suas melhores reimpressões sejam em preto e branco, como esta edição. Em função do excelente desenho de Toth e seu uso de retículas, nenhum detalhe foi perdido.
A primeira história narra a origem do Zorro, com o retorno de Diego De La Vega a Los Angeles depois que ele estudou na Espanha. Ele volta a pedido de seu pai, Don Alejandro De La Vega, para combater os desmandos dos representantes do Rei da Espanha no povoado. Ajudado pelo seu fiel assistente mudo (que se passa por surdo), Bernardo, Diego decide adotar a identidade do Zorro para manter seu pai em segurança.
Esta trama se passa quando a Califórnia e outros territórios ainda pertenciam a Espanha e faziam parte do México em 1820 pouco antes da guerra mexicana pela independência. Mas não espere fidelidade histórica, Johnston McCulley, o autor original, mudava elementos históricos de acordo com o que achava que ficaria melhor para sua ficção e tais licenças poéticas se repetiram em todas as adaptações do Zorro ao longo do tempo.
Quem lembrar ou ver a série da Disney hoje, constatará que Toth retrata os personagens tal como o elenco da série. A edição da editora JBraga Comunicação traz textos com informações extras escritos por André Morelli e Maurício Muniz.
Este garimpo tem periodicidade indefinida, mas, se você quer conhecer mais, na área de pesquisa deste blog, digite “garimpando” e clique no botão “pesquisar”. Assim, você verá tanto os outros garimpos de eventos como o “Garimpando em Gibiterias”. Faça a mesma coisa no site Literakaos.
Para Saber Mais
Como já dito, essa série foi publicada originalmente pela Disney em cores. Este material chegou a ser publicado no Brasil, também em cores, em formatinho pela editora Abril. Não somente a fase de Alex Toth como de seus sucessores nos EUA. Mas não para por aí, a Disney sempre permitiu as produções locais de seus quadrinhos ao redor do mundo. As revistas Disney do Brasil na editora Abril traziam histórias brasileiras, norte-americanas e italianas de todos os personagens. Muitos quadrinhos de Zorro pela Disney no Brasil foram produzidos aqui por desenhistas e escritores daqui. Ou seja, é muito gibi para garimpar e muitas curiosidades inerentes.
Boas leituras!
Rodrigo Rosas Campos
P.S.: Esta é a última resenha atrasada de 2022. Para que este texto fosse publicado o mais breve possível, não conferi o preço no dia da postagem.
Já fiz uma resenha completa desse livro comentando conto a conto, se você quiser, clique aqui . Lançado aqui no Brasil pela editora Pipo...